O CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, reforçou em entrevista exclusiva ao Agrofy News a importância da liquidez financeira para manter o agronegócio brasileiro competitivo, resiliente e em ascensão.
Ele destacou que o setor agropecuário do Brasil dá “show” em eficiência produtiva e sustentabilidade, mas ainda enfrenta desafios no acesso ao capital.
Segundo Guillaumon, o mercado de capitais e títulos como Fiagros são avanços importantes, mas ainda há espaço para aprimorar o entendimento sobre as particularidades do agro.
A estratégia anticíclica da BrasilAgro foi outro ponto enfatizado por Guillaumon. Ele explicou que a empresa aposta em comprar fazendas com potencial de evolução e transformá-las em ativos mais produtivos, gerando valor mesmo em cenários desafiadores.
Para o CEO, o foco não está apenas em aproveitar oportunidades imobiliárias, mas em aplicar tecnologia e gestão para transformar a rentabilidade das terras.
Guillaumon também abordou temas como diversificação de culturas e regiões, o impacto da governança corporativa no setor e a necessidade de segurança jurídica para atrair mais investimentos.
“Agrofy News: A BrasilAgro tem adotado uma postura anticíclica em um momento de incertezas no agronegócio. Como essa estratégia tem sido implementada e quais os principais desafios?
André Guillaumon: A BrasilAgro vem adotando essa postura anticíclica, aproveitando os ciclos naturais do agronegócio. Hoje temos cerca de 200 mil hectares em diferentes cultivos.
Nossa estratégia é clara: comprar fazendas quando as commodities estão em baixa e vendê-las quando estão valorizadas. No entanto, o diferencial está na nossa capacidade de transformar esses ativos, aumentando sua produtividade e valor.
Ou seja, para gente, a compra tem que estar muito atrelada à nossa capacidade de mudar o resultado daquele ativo.
Isso significa que a BrasilAgro está inclinada a comprar mais terras agora?
Exatamente. Com preços de commodities mais acomodados, como a soja, o valor da terra também está estável. Para nós, o importante não é apenas o preço, mas a possibilidade de transformar esses ativos. Por exemplo, converter uma área de pastagem em produção de soja ou algodão pode aumentar significativamente a rentabilidade.
E como a diversificação de culturas e regiões contribui para a resiliência da empresa?
A diversificação é fundamental em um setor tão dependente de fatores climáticos e de mercado. Trabalhamos com soja, milho, algodão e cana, entre outros. Quando uma cultura ou região enfrenta dificuldades, outras podem compensar. Além disso, essa estratégia ajuda a manter a liquidez dos ativos e a garantir estabilidade nos resultados.
O mercado financeiro tem acompanhado o crescimento do agro. Como você avalia esse movimento?
É positivo, mas ainda incipiente. Nos últimos 10 anos, vimos um aumento na participação de bancos privados e na criação de instrumentos como Fiagros. No entanto, ainda falta maior entendimento das especificidades do setor para atender melhor às suas demandas. Quanto mais agentes financeiros participarem, menor será o custo de capital.
Qual é sua opinião sobre a lei de compra de terras por estrangeiros?
Sou favorável à flexibilização. Essa lei cria insegurança e aumenta o custo do capital no setor. É importante destacar que terras não podem ser levadas embora. O capital estrangeiro traria mais investimentos e desenvolvimento, especialmente em regiões carentes, sem comprometer a soberania nacional.
Por fim, qual legado você gostaria de deixar no agro brasileiro?
Gostaria de ser lembrado como alguém que construiu pontes e reduziu a assimetria de informações no setor. O agro brasileiro tem uma oportunidade gigantesca de se posicionar globalmente, mas isso exige menos polarização e mais diálogo.”
Por: Daniel Azevedo Duarte | Fonte: Agrofy News
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