Estado respondeu por 27% da geração regional de bioenergia em 2024, segundo o Balanço Energético Nacional

A geração de bioeletricidade a partir da biomassa da cana-de-açúcar no Nordeste alcançou 9,7 TWh em 2024. Alagoas respondeu por 2,6 TWh desse total, o equivalente a 27% da produção regional, e atingiu o maior nível de autossuficiência energética entre os estados nordestinos. Os dados constam do Relatório Final do Balanço Energético Nacional 2025, com ano-base de 2024.
A biomassa foi utilizada em sistemas de cogeração em usinas sucroenergéticas, com aproveitamento do bagaço da cana para geração simultânea de eletricidade e calor. A produção local supriu o consumo industrial e permitiu a exportação de excedente para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
A biomassa representou 9,2% da Oferta Interna de Energia (OIE) do Brasil em 2024, consolidando-se como a terceira principal fonte da matriz nacional, atrás da hidráulica (29,4%) e dos derivados de petróleo (33,7%). A geração total de bioeletricidade no país somou 42,1 TWh no período, sendo que 23% desse volume foi produzido no Nordeste. Alagoas concentrou 6,3% da geração nacional, superando estados com maior consumo energético.
Pernambuco e Bahia também aparecem entre os principais produtores de biocombustíveis da região. A produção de etanol e biodiesel contribuiu para a redução da dependência de combustíveis fósseis no setor de transportes e ampliou a oferta energética com base em fontes agrícolas regionais.
Panorama da bioenergia nos estados nordestinos
Alagoas liderou com folga a produção de bioenergia no Nordeste em 2024, com 2,6 TWh gerados a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 2,1 TWh, seguido pela Bahia, com 1,9 TWh. Esses três estados concentraram cerca de 70% de toda a geração regional.
Outros estados nordestinos também contribuíram com a matriz de bioenergia. O Rio Grande do Norte registrou produção de 0,73 TWh, enquanto a Paraíba produziu 0,64 TWh. O Maranhão gerou 0,59 TWh, Sergipe 0,48 TWh, o Piauí 0,29 TWh e o Ceará, 0,18 TWh.
Usinas alagoanas investem em cogeração com bagaço de cana
Usinas como a Caeté e a Cooperativa Pindorama produzem bioenergia por meio do bagaço de cana para suprir demandas internas, abastecer seus parques industriais e, no caso da Caeté, vender o excedente da energia gerada.
Durante a safra 2022/2023, a Usina Caeté, Matriz, localizada em São Miguel dos Campos, processou 2.170.000 toneladas de cana, resultando num total de 650.000 toneladas de bagaço. Por meio da central termoelétrica CESMC, a biomassa atendeu às demandas energéticas da indústria e da irrigação com um excedente de 80.000 MWh de energia exportada.
Outra empresa que vem apostando na produção de energia limpa é a Usina Coruripe. O presidente do grupo, Mário Lorencatto, disse ao Movimento Econômico que a bioenergia é um produto estratégico para a transição energética e para a construção de um futuro mais sustentável.
Para a Usina Coruripe, esse bioproduto garante a autossuficiência das unidades operacionais e permite a comercialização do excedente ao mercado regulado e livre, gerando receita e contribuindo para aliviar a demanda sobre a matriz elétrica nacional.
“Essa atuação está alinhada ao RenovaBio, programa nacional que reconhece a importância dos biocombustíveis e da bioenergia na redução das emissões de gases de efeito estufa e na promoção da sustentabilidade no setor energético brasileiro. Em Alagoas, a Coruripe tem aprimorado constantemente seus processos para a geração de bioeletricidade. Com essa atuação, reafirmamos nosso compromisso com a inovação, a eficiência e a sustentabilidade, buscando contribuir para o desenvolvimento regional e para a consolidação do Brasil como líder mundial na produção de energia renovável a partir da cana”, afirmou Lorencatto.
Bioenergia ganha espaço em meio ao domínio eólico
A geração eólica manteve-se como base da matriz elétrica da região. Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará lideram em capacidade instalada e fatores médios de capacidade. Apesar da estabilidade no crescimento, o setor segue sendo o principal vetor da energia renovável interligada na região.
No entanto, o avanço da biomassa indica uma mudança no perfil de segurança energética regional. A geração distribuída solar também ampliou presença no Nordeste. Paraíba, Alagoas e Ceará registraram crescimento em sistemas fotovoltaicos conectados à rede, com expansão tanto em áreas urbanas quanto no meio rural.
Por: Vanessa Siqueira | Fonte: Movimento Econômico
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