Grão liderou altas das commodities agrícolas na bolsa de Chicago em novembro; em Nova York, cacau e suco de laranja despencaram

Em novembro, a procura por soja americana da safra 2025/26 enfim começou a ganhar tração, o que puxou para cima as cotações do grão na bolsa de Chicago. A cotação média dos contratos de segunda posição de entrega, normalmente os mais líquidos, subiu 7,8% no mês passado, para US$ 11,3499 o bushel, segundo cálculos do Valor Data.
O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, que ocorreu no fim de outubro, ajudou a destravar os embarques de soja americana ao mercado chinês, o que deu impulso às negociações da oleaginosa no mercado futuro. Os EUA estavam sem conseguir enviar navios com carregamentos de soja para a China desde setembro.
Segundo cálculos de Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a China acertou no mês passado a compra de 4 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. O governo americano estabeleceu a meta de negociar 12 milhões com os chineses ainda em 2025.
“As compras de soja que aconteceram até agora são uma estratégia política, para atender o desejo de Trump, e não por necessidade da China. É difícil acreditar que a China irá mesmo comprar as 12 milhões de toneladas, já que a soja brasileira ainda é mais competitiva que a americana, sobre a qual a China continua cobrando 13% de tarifa de importação. Além disso, a margem das esmagadoras chinesas privadas segue negativa, o que reforça que essa demanda está vindo das estatais”, observa Queiroz.
Milho e trigo
As cotações de trigo e milho passaram por ajustes técnicos e também subiram em Chicago em novembro. O trigo encerrou o mês em alta de 3,4%, com valor médio de US$ 5,4891 o bushel, e o milho subiu 1,1%, a US$ 4,4466 o bushel.
Suco de laranja despenca em Nova York
Na bolsa de Nova York, a boa perspectiva para a oferta mundial de suco de laranja e a baixa demanda pela commodity pressionaram as cotações no mês passado. Segundo levantamento do Valor Data, o preço médio dos contratos de segunda posição do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) caiu 17,7% em novembro, para US$ 1,6546 a libra-peso.
Segundo Andrés Padilla, analista sênior do Rabobank Brasil, o consumo de suco de laranja não está reagindo no mercado internacional neste ano. “Isso se deve principalmente à manutenção de preços elevados no varejo dos Estados Unidos e, em menor medida, na Europa”, afirmou.
Padilla observa que, além disso, há estimativas de recuperação na safra 2025/26 de laranja do Brasil, o maior exportador mundial de suco de laranja. “A reposição de estoques de suco no final do ano safra 2025/26 deve ser considerável, aumentando a disponibilidade do produto”, disse.
Cacau
A perspectiva de aumento da oferta e a diminuição da demanda também pressionaram as cotações do cacau, que caíram 7% em novembro, para US$ 5.711 a tonelada, em média. Adilson Reis, analista especializado no mercado de cacau, destaca que, com a expectativa de melhora da oferta em 2025/26 e a redução do consumo, muitos fundos ajustaram suas posições no mercado futuro da amêndoa, o que exerceu pressão adicional sobre os preços.
Outro elemento para a baixa foi a decisão do Parlamento Europeu de adiar o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês). Agora, a nova lei deve passar a vigorar apenas em 30 de dezembro de 2026.
“O adiamento da lei tranquilizou o mercado. A Europa, que é o maior consumidor de cacau do mundo, teria muito mais a perder com a exigência de compra de produto certificado. No momento, não existe capacidade de entrega de cacau dentro dessas normas”, afirma Reis.
Açúcar
O açúcar também encerrou o mês em baixa — o recuo dos contratos de segunda posição foi de 6,2%, para a média de 14,16 centavos de dólar a libra-peso. As previsões otimistas para as safras de cana-de-açúcar em produtores importantes, como Brasil e Índia, foram o principal fator para a queda.
Algodão cai, café sobe
O algodão, por sua vez, fechou o mês em queda de 1,1%, para uma média de 64,87 centavos de dólar a libra-peso. Entre as chamadas “soft commodities”, apenas o café valorizou-se na bolsa de Nova York em novembro. Os preços subiram 2,3%, para US$ 3,8183 a libra-peso.
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