Tema foi discutido no 2º Fórum da Agricultura Familiar, realizado pela Globo Rural, em Salvador (BA), nesta sexta-feira (12/12)
A produção agroecológica tem se espalhado pelos campos do Brasil nos últimos anos, devido ao seu potencial transformador e de impacto positivo na produtividade dos cultivos e na vida de populações rurais, mas ainda tem dificuldades para ganhar escala e acessar mais o mercado consumidor. O tema foi debatido no 2º Fórum Agricultura Familiar, realizado em Salvador (BA) nesta sexta-feira (12/11).
Do ponto de vista da pesquisa, há uma mudança radical ocorrendo, que inclui um olhar estratégico e prioritário sobre o assunto.
“A Embrapa, pela diversidade do país, tem um plano estratégico para conseguir atender a todos e a agroecologia é um dos nove portifólios que fazem parte deste plano. Isso significa que a gente acredita fortemente nisso. Na nossa unidade, todos os desenvolvimentos de novas variedades são em cima da sustentabilidade. Antigamente, era basicamente cuidar com a erosão, um pouco de cobertura e só. Hoje, felizmente, mudou”, afirmou o pesquisador Aldo Vilar Trindade, da Embrapa Mandioca e Fruticultura durante o segundo painel do evento.
Ele destacou que as práticas estão crescendo, mas o percentual de área agroecológica em produção ainda é pequeno. O gargalo está na transferência tecnológica e na disponibilidade de tecnologias realmente úteis, de impacto, acesso e que permitam mensuração.
A distribuição dos produtos agroecológicos a grandes centros de consumo e supermercados também foi debatido no Fórum. Na visão dos participantes, é um desafio que inclui problemas de infraestrutura e transporte, mas também de marketing, análises laboratoriais e certificações e exigências sanitárias.
Para o secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia, Osni Cardoso, a população precisa ter mais consciência da possibilidade de acessar os produtos agroecológicos e os supermercados têm papel fundamental nisso. “As grandes redes não valorizam esses produtos. O desafio não é só transportar. É também o preço. Todo o mecanismo para produzir e tirar da fazenda existe, mas há quase 120% de lucro real em cima dos produtos, sendo que a única função do mercado é ter uma gôndula e passar o produto. Precisamos de mecanismos para regular isso”, disse
A presidente da Confederação Unicafes Nacional, Fátima Torres, destacou que os produtores precisam ocupar os espaços disponíveis, que não são somente as grandes redes, para acessar mais os mercados, e que muitos produtos orgânicos são comercializados mesmo sem o selo oficial do segmento. “Já temos vários produtos da agricultura familiar em mercados e com identificação aqui na Bahia. São esses espaços que buscamos ocupar para que o consumidor encontre”, disse.
Por: Cassiano Ribeiro | Fonte: Globo Rrual
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