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Etanol de milho deve atingir 10 bilhões de litros no Brasil

Maria Reis por Maria Reis
10 fevereiro, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Biocombustíveis
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Cereal já responde por cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol. Setor deve crescer 20% na próxima safra

Lavoura de milho em Campo Verde (MT) | Foto: Fernanda Pressinott

O etanol de milho consolida-se como um dos segmentos que mais crescem dentro da matriz de biocombustíveis no Brasil. Segundo o presidente da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), Guilherme Nolasco, o país deve encerrar o atual ano-safra com 10 bilhões de litros produzidos, volume que representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol. 

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“O crescimento foi muito rápido. Nos últimos oito anos, o etanol de milho avançou a taxas superiores a 30% ao ano”, afirmou Nolasco em entrevista exclusiva ao CNN Agro. Para a próxima safra, que começa em abril, as projeções preliminares apontam para um crescimento de crescimento de cerca de 20%, podendo levar a produção para algo próximo de 12 bilhões de litros. 

Com a rápida expansão da oferta o setor vem se empenhando em criar novos mercados consumidores. A projeção da UNEM indica que na safra 2026/2027 a produção nacional de etanol pode superar os 4 bilhões de litros, dos quais 2 bilhões virão do milho e outros 2 bilhões da cana-de-açúcar. Com isso, o país adicionará entre 10% e 12% de oferta ao mercado em um único ciclo. 

“O consumo projetado cresce cerca de 2%, enquanto a oferta pode crescer mais de 10%. Isso exige responsabilidade do setor”, diz Nolasco. Segundo ele, há três caminhos principais para absorver esse volume adicional: expandir o consumo interno em regiões onde o etanol ainda é pouco utilizado, substituir a gasolina nos mercados já consolidados e desenvolver novas aplicações no mercado internacional. 

Estados consumidores

Hoje, o etanol hidratado é consumido de forma relevante em apenas seis estados, todos produtores: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Em outras regiões, como Sul, Norte e Nordeste, o consumo esbarra no preço elevado. “Onde não há oferta, o preço fica próximo ao da gasolina e o consumidor não cria o hábito de consumo”, afirmou.

Neste contexto as biorrefinarias de milho podem contribuir para a pulverização do consumo. Somente este ano 8 novas plantas devem ser inauguradas em diferentes regiões do Brasil.

Os investimentos estão concentrados principalmente no Centro-Oeste, mas avançam também para o Sul e para a região conhecida como Matopiba, que engloba áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Há projetos em cidades como Balsas (MA), Luiz Eduardo Magalhães (BA) e Uruçuí (PI).

No Sul do país, onde três novas unidades devem ser instaladas, o avanço ocorre com plantas que utilizam trigo e triticale, aproveitando matérias-primas que não têm qualidade para panificação. “Não se trata de usar trigo que iria para a alimentação humana. É um trigo que não tem destino nobre e acaba sendo aproveitado de forma industrial”, explicou Nolasco.

Atualmente, o Brasil conta com 25 biorrefinarias em operação, número que deve chegar a cerca de  33 unidades até o fim de 2026, com os novos empreendimentos já em construção ou em fase final de implantação. “Há outros  20 estudos em análise”, diz o presidente da UNEM, que estima que o Brasil tenha capacidade de dobrar a produção de etanol de milho até cerca de 2032, alcançando algo próximo de 20 bilhões de litros. No entanto, o presidente da entidade ressalta que os investimentos dependem diretamente da criação de demanda. 

Novas aplicações  

Além do mercado doméstico, o setor aposta em aplicações de médio e longo prazo, como o uso do etanol na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), no transporte marítimo e na exportação para países que ampliam a mistura de etanol à gasolina. 

“Nós podemos ser grandes demais para o mercado atual no curto prazo, mas ainda muito pequenos para mercados globais como navegação e aviação”, destacou Nolasco. Para ele, o potencial é significativo: apenas uma substituição parcial de combustíveis fósseis no transporte marítimo mundial superaria toda a produção brasileira atual. “Temos um enorme potencial para crescer, mas isso precisa ser sustentável”, concluiu. 

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil

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