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Etanol no transporte marítimo ganha força e reposiciona o Nordeste na transição energética

Maria Reis por Maria Reis
12 fevereiro, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 3 minutos
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Home Biocombustíveis
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Foto: Thatiany Lucena/DP

A decisão da Maersk, maior armadora de contêineres do mundo, de apostar no etanol como combustível alternativo para o transporte marítimo representa um marco relevante na agenda global de descarbonização e abre uma nova janela de oportunidades para o Brasil — em especial para o Nordeste.

Responsável por uma frota superior a 700 navios, a companhia vem acelerando investimentos em embarcações com motores capazes de operar com combustíveis de menor intensidade de carbono, alinhada às metas da Organização Marítima Internacional (IMO) e ao compromisso global de neutralidade climática até 2050. Entre as alternativas avaliadas (GNL, amônia e metanol), o etanol desponta como uma das soluções mais competitivas, escaláveis e maduras, tanto do ponto de vista tecnológico quanto econômico.

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O etanol se destaca por apresentar menor custo relativo, ampla experiência industrial, infraestrutura já existente e excelente desempenho ambiental ao longo de todo o seu ciclo de vida — sobretudo quando produzido a partir da cana-de-açúcar. Diferentemente de outros combustíveis emergentes, o etanol tende a permanecer enquadrado como combustível “verde” durante praticamente todo o período de transição energética do setor marítimo, sem penalidades relevantes de carbono.

Nesse contexto, o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo. O país detém uma das maiores capacidades produtivas de etanol do mundo, com forte concentração no Centro-Sul, mas com enorme potencial de expansão no Nordeste, região que combina produção agroindustrial, localização estratégica no Atlântico Sul e novos investimentos portuários.

A Maersk, inclusive, vem ampliando sua presença logística no país, com destaque para investimentos estruturantes no Porto de Suape (PE), que se consolida como um dos mais modernos hubs portuários da América Latina. A proximidade entre áreas produtoras de etanol e infraestrutura portuária reforça a viabilidade do Brasil não apenas como exportador do biocombustível, mas também como plataforma internacional de abastecimento marítimo (bunker verde).

Para Edmundo Coelho Barbosa, defensor da união nacional pelo etanol como eixo da descarbonização do transporte de cargas, o movimento da Maersk representa uma inflexão histórica:

“A Maersk colabora para a reindustrialização da região Nordeste. Todas as cadeias de suprimentos e exportações serão beneficiadas. Para os produtores, a escolha estratégica do etanol por uma empresa que detém 700 navios de contêineres é a consagração do biocombustível produzido nesta região.”

Segundo ele, a consolidação do etanol como combustível marítimo cria um novo mercado global, com potencial de demanda equivalente a dezenas de milhões de toneladas por ano, capaz de impulsionar investimentos industriais, geração de empregos qualificados e maior previsibilidade para o setor sucroenergético.

Além do impacto ambiental positivo, a estratégia reforça uma agenda de reindustrialização verde, integração logística e valorização das cadeias produtivas nacionais, posicionando o Brasil — e o Nordeste em particular — como atores centrais na transição energética do comércio internacional.

Por: Edmundo Barbosa | Fonte: Paraíba Business

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