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Recife pode vir a se posicionar como potencial polo do etanol marítimo na transição energética global

Maria Reis por Maria Reis
12 fevereiro, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Biocombustíveis
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Testes conduzidos pela Maersk alimentam debate sobre oportunidades futuras para o Porto de Suape

Pernambuco no debate global sobre descarbonização marítima

O Porto de Suape, em Pernambuco, pode vir a se posicionar como um potencial ponto de apoio à transição energética do transporte marítimo, diante das discussões globais sobre combustíveis alternativos. A Maersk, armadora do grupo, conduz testes na Europa para avaliar a viabilidade do uso do etanol como combustível marítimo, o que abre espaço para reflexões sobre oportunidades futuras para o Brasil e para o Nordeste.

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O tema foi apresentado ao setor sucroenergético nordestino durante evento do Sindaçúcar-PE, como parte de um debate mais amplo sobre o papel dos biocombustíveis na descarbonização da indústria naval. Segundo o presidente da entidade, Renato Cunha, a discussão reflete uma nova etapa no processo global de transição energética do setor.

“A Maersk tem um plano ambicioso de investimentos em infraestrutura e frota para avaliar alternativas de transição energética no transporte marítimo ao longo dos próximos 15 anos”, destacou Cunha.

Testes com etanol marítimo estão em fase de avaliação na Europa

Os testes com etanol como combustível marítimo são conduzidos pela Maersk e ocorrem atualmente na Europa, especialmente na Dinamarca, sem operações em andamento no Brasil neste momento.

Em uma etapa inicial, foi avaliada a mistura E10 (10% etanol e 90% metanol), que apresentou resultados positivos de desempenho. Atualmente, a empresa testa a mistura E50 (50% etanol e 50% metanol), também com indicadores favoráveis de eficiência e estabilidade.

O uso de etanol 100% (E100) está em fase de avaliação técnica, mas ainda não há testes operacionais em curso, nem definição sobre sua adoção futura. A Maersk não sinaliza compromisso de compra nem decisão sobre adoção futura do etanol como combustível.

Potencial de mercado em análise

O eventual avanço do etanol no transporte marítimo pode representar um novo vetor de demanda para o combustível renovável, dependendo dos resultados técnicos e econômicos dos testes.

De acordo com Renato Cunha, caso o etanol venha a atingir 10% de participação no mercado marítimo global, a demanda potencial poderia chegar a cerca de 35 milhões de toneladas por ano — volume próximo à produção atual brasileira.

“O etanol se mostra uma alternativa promissora, especialmente para países com produção consolidada, como o Brasil, mas ainda depende de avaliações técnicas, regulatórias e logísticas”, explicou Cunha.

Nordeste reúne condições para integrar uma eventual nova cadeia energética

Com a infraestrutura do Porto de Suape e o potencial produtivo regional, o Nordeste tem condições de participar de uma futura cadeia de abastecimento de biocombustíveis marítimos, caso esse modelo se mostre viável no longo prazo.

Segundo o Sindaçúcar-PE, Pernambuco já registrou safras próximas de 700 milhões de litros de etanol, volume que, em um cenário futuro, poderia ser parcialmente direcionado ao setor marítimo.

Além da produção local, o estado poderia receber etanol de outras regiões via cabotagem, atuando como ponto logístico regional, sem que haja, até o momento, projetos definidos, cronogramas ou compromissos comerciais firmados.

“Há uma ampla possibilidade de uso desse etanol no futuro, a depender dos resultados dos testes e da evolução do mercado. Pernambuco tem potencial para integrar essa nova cadeia energética”, reforçou Cunha.

Etanol brasileiro no centro das discussões globais sobre transição energética

Os testes conduzidos pela Maersk com etanol reforçam o protagonismo do Brasil no debate global sobre biocombustíveis, mas não indicam, neste momento, uma decisão definitiva sobre a adoção do combustível.

O etanol é considerado uma alternativa de baixo carbono em avaliação para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO₂.

A eventual inserção de portos brasileiros, como Suape, nessa rota dependerá de decisões futuras, mas o debate já amplia a visibilidade do país e do setor sucroenergético nas discussões internacionais sobre energia limpa.

Fonte: Portal do Agronegócio

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