Injeção de capital terá que garantir continuidade das operações, disse executivo
Os acionistas controladores da Raízen – Cosan e Shell – estão comprometidos em realizar um aporte de capital na companhia, desde que de forma “consensuada e estruturante”, afirmou o CEO da companhia, Nelson Gomes, nesta sexta-feira, 13, em teleconferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26.
A empresa é a maior processadora de cana-de-açúcar e maior produtora de açúcar e etanol do país, além de ser uma das três maiores distribuidoras de combustíveis. “Os acionistas se comprometeram em contribuir com capital, dentro de uma solução consensual, estruturante e definitiva pra que a companhia possa operar no longo prazo”, disse Gomes.
O CEO afirmou que a Raízen tem uma liquidez “robusta”, citando o caixa líquido reportado no balanço de R$ 17 bilhões, mas ainda assim ressaltou que houve um “ponto de inflexão” na estrutura de capital no último trimestre.
A empresa reportou no período um prejuízo contábil de R$ 15 bilhões, sendo que R$ 11,1 bilhões foram fruto de reclassificações contábeis decorrentes da piora da estrutura de capital. Esse resultado contribui para que a Raízen passasse a registrar um patrimônio líquido negativo no fim do terceiro trimestre.
“A execução do plano de transformação operacional não é suficiente para mitigar o desequilíbrio que temos na estrutura de capital da companhia. Resolver a estrutura de capital, reduzindo o endividamento, é prioritário, tanto para nós quanto para os acionistas”, afirmou Gomes.
Na teleconferência, o diretor financeiro da companhia, Lorival Luz, disse que a baixa contábil de R$ 11,1 bilhões foi fruto da revisão do teste de recuperabilidade dos ativos diante das premissas de classificação, que envolve a contabilização dos impostos a recuperar, ágio e de ativos imobilizados, por exemplo. “Quando revisitamos as premissas, nos comprometemos e classificamos as demonstrações financeiras no contexto de incerteza significativa”, disse.
“Não tem novidade, tudo estava lá e foi revisto à luz do novo cenário e do acesso às premissas”, acrescentou. Segundo ele, esse prejuízo pode ser revertido “à medida que a companhia ajustar a estrutura de capital”.
Gestão da dívida
Apesar disso, Luz disse que, além do caixa de R$ 17 bilhões, a Raízen não tem “nenhum vencimento relevante no curto prazo”. Ele defendeu a atual política de gestão de capital da companhia de não usar estruturas de capital de giro, que têm prazo mais curto. É o caso das operações de risco sacado.
“Não estamos fazendo uso de instrumentos de capital de giro porque entendemos que o financiamento da companhia deve ser feito no longo prazo, e nunca um financiamento de curto prazo para financiar, por exemplo, capex de longo prazo”, defendeu.
Ele ainda acrescentou: “Estamos bem planejados com isso. Neste momento, estou tranquilo com relação ao tema de capital de giro e como as coisas estão decorrendo”.
Venda de ativos
Em paralelo à injeção de capital esperada, a Raízen já acertou a venda de R$ 5 bilhões em ativos, incluindo usinas de cana-de-açúcar, canaviais e ativos de energia elétrica. A empresa também deve continuar avançando na venda de ativos, como a refinaria na Argentina.
Segundo o CEO, as vendas dos ativos deve ser concluída ao longo deste ano-calendário de 2026. “Os processos de venda dos ativos – não só na Argentina, mas de maneira geral – segue exatamente o plano desenhado no início da nossa jornada”, disse o CEO, que assumiu o comando da Raízen em novembro de 2024.
Segundo ele, a venda da refinaria “envolve uma série de complexidades”, como questões regulatórias no Brasil e na Argentina. A refinaria da Raízen é uma das mais relevantes do país vizinho.
Ainda assim, ele negou atrasos no processo e lembrou que a companhia acabou de concluir um investimento para atualização do ativo. “A venda [da refinaria] segue em linha com o cronograma que tínhamos previsto. Não tem nenhum atraso”, atestou.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural
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