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Usina em Alagoas importa máquinas da Índia para enfrentar falta de mão de obra

Maria Reis por Maria Reis
19 fevereiro, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Serra Grande aposta em colheitadeiras adaptadas a áreas de declive para ampliar mecanização

Máquina importada consegue colher cana em área de declive de até 30 graus. – Foto: Edivaldo Junior

A escassez crescente de mão de obra no corte da cana tem levado usinas em Alagoas a buscar soluções fora do país. Em São José da Laje, na Zona da Mata Norte, a usina Serra Grande passou a importar colheitadeiras desenvolvidas originalmente para pequenas propriedades asiáticas, em uma tentativa de mecanizar áreas de declive, até então dependentes do corte manual.

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O movimento reflete uma mudança estrutural no setor sucroenergético. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com mais de 650 milhões de toneladas por safra, e lidera o desenvolvimento de tecnologias agrícolas. Ainda assim, desafios específicos de relevo e topografia, especialmente no Nordeste, têm levado produtores a adaptar equipamentos estrangeiros para atender à realidade local.

O problema vem se agravando pela falta de reposição da mão de obra no corte manual da cana. Em algumas usinas, a idade média dos cortadores de cana passa dos 40 anos, porque segundo técnicos e gestores do setor, pessoas mais jovens não querem mais trabalhar na atividade. “A dificuldade de contratar trabalhadores para o corte da cana é maior a cada safra”, revela o agrônomo de uma usina na região norte alagoana.

Em Alagoas, onde cerca de 340 mil hectares são cultivados com cana, a mecanização avança, mas ainda enfrenta limitações. Estima-se que aproximadamente 35% da área colhida utilize máquinas, concentradas principalmente nos tabuleiros do litoral sul. Já na Zona da Mata, marcada por encostas e terrenos irregulares, o corte manual ainda predomina em praticamente todas as áreas.

Foi nesse contexto que a Serra Grande decidiu importar colheitadeiras de menor porte, do modelo Shaktiman Tejas, desenvolvidas na Índia. Para operar nas encostas alagoanas, os equipamentos passaram por adaptações, incluindo a substituição dos pneus traseiros por esteiras metálicas, que aumentam a estabilidade e permitem a operação em terrenos com inclinação de até 30 graus.

Em operação há cerca de dois anos, as máquinas representam uma alternativa concreta diante da falta de trabalhadores no campo. Cada unidade tem capacidade para colher até 200 toneladas por dia. Com quatro máquinas em operação, a usina já alcançou volumes diários de até 800 toneladas, mesmo em áreas com limitações operacionais.

Segundo o diretor industrial Miguel Bezerra, o investimento faz parte de uma estratégia para garantir a continuidade da produção. “É uma máquina menor, equipada com esteiras nas rodas traseiras, o que garante maior estabilidade. Ela também pode operar apenas com pneus e é extremamente eficiente em áreas curtas, onde as manobras são frequentes e impactam diretamente a produtividade”, explica.

Além da unidade em Alagoas, o grupo adquiriu outras oito colheitadeiras do mesmo modelo para uso na usina Trapiche, em Pernambuco, ampliando o processo de mecanização em regiões com características diferentes.

Mecanização, uma questão de sobrevivência

A mecanização deixou de ser apenas um avanço tecnológico e passou a ser uma necessidade estratégica. O número de trabalhadores disponíveis para o corte manual vem caindo ano após ano, pressionando as usinas a buscar alternativas.

“O corte manual de cana é uma atividade em declínio, com cada vez menos trabalhadores disponíveis. A mecanização é uma questão de sobrevivência para o setor. Temos áreas plantadas há anos que foram projetadas para corte manual e que agora estão sendo adaptadas à mecanização”, afirma Miguel Bezerra.

Outro benefício importante é a possibilidade de ampliar a colheita de cana crua, reduzindo gradualmente a necessidade da queima do canavial – prática tradicional que facilita o corte manual, mas que tende a ser abandonada com o avanço das máquinas.

“Estamos preparando o terreno, retirando pedras e nivelando áreas. Isso permitirá ampliar a colheita mecanizada com maior segurança e eficiência”, acrescenta o industrial.

Relevo ainda é desafio

Apesar do avanço da mecanização em Alagoas, o relevo acidentado ainda limita o uso de colheitadeiras convencionais em grande parte da Zona da Mata. A importação e adaptação de equipamentos menores representa uma tentativa de superar esse obstáculo.

Para operadores como Magno Cláudio, que trabalham diretamente com as máquinas, os resultados já são visíveis. “Estamos no segundo ano de uso e o desempenho tem sido positivo. São máquinas ágeis, que permitem ampliar a colheita mecanizada e reduzir a dependência do corte manual”, afirma.

O avanço dessas tecnologias aponta para uma transformação gradual no setor. Em um cenário de escassez de mão de obra e aumento dos custos operacionais, a mecanização surge como um dos principais caminhos para manter a competitividade e garantir a sustentabilidade da produção de cana em Alagoas.

Por: Edivaldo Júnior | Fonte: GazetaWeb (AL) 

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