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Guerra eleva fertilizantes e reforça aposta da 3tentos em biocombustíveis

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
18 maio, 2026
em Mercado
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Mercado
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Segundo o CEO João Marcelo Dumoncel, as operações da planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT) dependem apenas do aval da ANP

A escalada do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre os mercados globais de energia e fertilizantes começam a alterar o comportamento de produtores rurais brasileiros e a dinâmica comercial do agronegócio, segundo avaliação da 3tentos.

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Para o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, o principal impacto imediato aparece no mercado de fertilizantes nitrogenados, segmento mais sensível às oscilações geopolíticas por causa da forte dependência global de gás natural e da relevância dos países próximos ao Estreito de Ormuz na oferta internacional.

“O maior impacto está em fertilizantes, muito mais do que em defensivos. Principalmente nos nitrogenados”, afirmou o executivo.

Segundo ele, parte relevante dos produtores havia antecipado compras antes da deterioração mais recente do cenário internacional, mas a disparada dos preços acabou interrompendo negociações. “Tem pelo menos 30% da demanda represada”, afirmou.

O executivo ressalta que a volatilidade ainda é elevada e o mercado segue reagindo rapidamente às notícias envolvendo Oriente Médio, Rússia e Ucrânia. Na semana passada, segundo ele, houve algum recuo pontual nos preços da ureia.

Apesar da cautela dos produtores neste momento, a avaliação da empresa é de que a recomposição das compras será inevitável ao longo do segundo semestre, especialmente para culturas mais dependentes de nitrogênio.

“No segundo semestre o produtor vai comprar de qualquer jeito, porque ele vai plantar o milho de verão”, disse Dumoncel.

Segundo ele, caso os preços permaneçam em patamares elevados, a alternativa será reduzir o nível tecnológico das lavouras. “Em vez de usar 400 quilos, o produtor pode usar 300 quilos por exemplo”, afirmou.

A preocupação é maior no milho, cultura com elevada necessidade de fertilização nitrogenada. Ainda assim, a companhia avalia que parte do impacto poderá ser diluída porque a demanda mais forte do Centro-Oeste ocorrerá apenas no início de 2027.

“O milho safrinha do Centro-Oeste, para nós, tem a maior demanda de nitrogenados e será plantado em janeiro e fevereiro do ano que vem. Ainda existe tempo de espera”, afirmou.

No milho verão do Sul, porém, a janela de decisão está mais apertada. “O milho verão já está no limite de compra. Talvez exista perda de produtividade do ponto de vista de nitrogenados”, disse.

Na soja, o impacto aparece mais concentrado em fósforo do que em nitrogênio. “Houve subida de preço de fósforo. O produtor já absorveu essa alta e o mercado retomou”, afirmou.

Mesmo com alguma acomodação recente, Dumoncel reconhece que o choque de custos sobre o produtor rural é significativo. “Existe um aumento de custos considerável e isso pode afetar a cadeia como um todo”, disse.

Na avaliação da companhia, o cenário de custos elevados se soma a um ambiente financeiro mais restritivo para o agronegócio brasileiro, marcado por juros altos, commodities pressionadas e redução de liquidez no campo.

“Existe uma descapitalização do setor. O aumento de juros, aliado à queda dos preços das commodities e ao aumento de custos, cria uma pressão importante sobre o crédito”, afirmou.

Segundo ele, a 3tentos passou a operar com critérios mais rígidos de análise de risco por meio da TentosCap, braço financeiro da companhia. “Estamos superativos nesse aspecto de análise de crédito e garantias. Estamos mais rigorosos nos índices aceitáveis de alavancagem, liquidez e endividamento”, afirmou.

Apesar do cenário mais pressionado, Dumoncel afirma que a inadimplência continua sob controle. “A inadimplência historicamente é baixa e segue assim. No ano passado tivemos algum incremento e algumas prorrogações”, disse.

A percepção da empresa é que a recuperação parcial da safra gaúcha em 2026 deve melhorar a capacidade de pagamento dos produtores do estado. “O produtor gaúcho vai conseguir pagar a conta do ano e amortizar parte dos estoques de contas passadas”, afirmou.

Guerra incentiva biocombustíveis

Se no segmento de insumos a guerra pressiona custos e gera incerteza, no mercado de combustíveis renováveis o conflito acabou reforçando a relevância estratégica dos biocombustíveis para o Brasil, segundo a companhia.

“O tema dos biocombustíveis ficou muito evidente com a guerra, mas nós já vínhamos falando que eles são essenciais para uma matriz energética como a do Brasil”, afirmou Dumoncel.

Para ele, o debate deixou de estar concentrado apenas em sustentabilidade e passou também a envolver segurança energética e competitividade econômica. “Existe a questão da sustentabilidade e da redução de emissões, mas principalmente segurança energética e apelo de preço”, disse.

O executivo afirma que o aumento da mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel ajuda a reduzir a exposição brasileira às oscilações internacionais do petróleo e derivados.

Segundo ele, a mistura obrigatória de 15% de biodiesel atualmente em vigor faz com que o Brasil ainda dependa de importações relevantes de diesel fóssil. “Mesmo com o B15, o Brasil ainda importa um volume relevante de diesel. Cada ponto adicional de biodiesel reduz essa dependência”, afirmou.

A avaliação da empresa é de que o avanço dos mandatos de mistura continuará sustentando a demanda por biodiesel nos próximos anos.

Nesse contexto, a 3tentos já prepara suas operações para uma eventual elevação da mistura obrigatória para B16, prevista na Lei do Combustível do Futuro. “A expectativa é que o B16 avance o quanto antes. E sei que o governo já está fazendo testes pensando em B20”, afirmou.

A estratégia da companhia passa diretamente pela expansão industrial em biocombustíveis. A empresa aguarda a liberação final da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar as operações da nova planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT).

“A planta já passou pela última vistoria da ANP e está em testes a seco”, afirmou Dumoncel.

Quando atingir capacidade plena, a unidade terá potencial para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia, produzindo etanol e coprodutos destinados à nutrição animal.

Resultados trimestrais

A 3tentos teve um lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, mais que dobrando os R$ 109,6 milhões vistos um ano antes. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 394,25 milhões, alta de 98,5%.

A receita líquida da companhia, por sua vez, foi de R$ 4,2 bilhões no trimestre, elevação anual de 20,2%.

Fonte: NovaCana

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