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Aumento no consumo de açúcar deve se concentrar nos países emergentes

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
19 maio, 2026
em Mercado
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado
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Ásia e África representarão 93% do crescimento da demanda pelo adoçante, afirma estudo

Nos próximos anos, o consumo global de açúcar deverá se concentrar cada vez mais nas economias emergentes. Países desenvolvidos enfrentarão demanda estruturalmente mais fraca, diante da estagnação demográfica, mudanças nas preferências dos consumidores e intensificação das políticas relacionadas à saúde. É o que aponta estudo da Hedgepoint Global Markets.

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A consultoria se baseia em dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), para detalhar como será o comportamento do consumo mundial. A agência prevê um crescimento de 1,2% ao ano. Até 2034, deve chegar a aproximadamente 202 milhões de toneladas.

Nos próximos anos, a ONU espera que o aumento da demanda se concentre em regiões de baixa e média renda, principalmente na Ásia e na África, que juntas devem representar cerca de 93% dos ganhos líquidos no consumo global. O aumento da população, da urbanização acelerada e das mudanças alimentares impulsionadas pelo aumento do poder aquisitivo são os principais fatores por trás dessa tendência.

Já as economias de alta renda, provavelmente manterão o consumo de açúcar geralmente estável ou em queda moderada.

“O consumo de açúcar aumenta rapidamente em níveis de renda mais baixos, mas gradualmente se estabiliza à medida que os países atingem limiares mais altos do PIB, onde a demanda se torna cada vez mais inelástica para novos ganhos de renda”, destaca a Hedgepoint, no levantamento.

A consultoria ressalta que o efeito de saturação fica evidente em economias desenvolvidas, onde as tendências de consumo permanecem amplamente estáveis, apesar dos níveis de renda mais altos. As economias emergentes continuam a apresentar potencial significativo de recuperação.

De maneira geral, os países emergentes não serão capazes de sustentar sozinhos compras substanciais de açúcar nos próximos anos. Como resultado disso, a Hedgepoint estima aumento da demanda em apenas 0,4% em 2025/26 (outubro a setembro), divergindo das projeções da FAO.

A demanda deve se recuperar apenas modestamente, com uma média de cerca de 0,77% tanto nas temporadas 2026/27 quanto 2027/28.

Tributos

Outro fator que contribui para a retomada lenta no consumo de açúcar, segue a Hedgepoint, são medidas tributárias e regulatórias de governos mundo afora. Embora seja difícil quantificar seus efeitos com precisão, a maioria dos países que introduziu restrições passou a depender da rotulagem obrigatória dos produtos e, mais comumente, de impostos sobre bebidas adoçadas (SSBs).

O Banco Mundial acompanha a adoção de tributos sobre SSB. Atualmente, há 119 taxas nacionais em 117 países, cobrindo aproximadamente 57% da população mundial.

De acordo com a consultoria, existem evidências de que a tributação do SSB leva a redução do consumo dessas bebidas. No México – o primeiro país das Américas a adotar um imposto em 2014 –, estudos indicam uma queda de 6,3% nas compras observadas de SSB em relação aos níveis esperados, com queda mais acentuada em famílias de baixa renda.

“Embora nenhum estudo quantifique explicitamente o impacto direto da redução do consumo de bebidas açucaradas na ingestão nacional total de açúcar, a relação é intuitiva: quanto maior a taxa, maior o impacto no consumo. Impostos diretos sobre o açúcar em si existem, mas continuam sendo extremamente raros”, avalia a Hedgepoint.

A consultoria lembra que nem mesmo a disparada do preço do petróleo terá impactos significativos para o açúcar. A supervalorização do fóssil após o conflito no Oriente Médio tende a criar mais competitividade para o etanol em relação à gasolina, cenário que deixa as usinas mais inclinadas a destinarem mais matéria-prima para a produção do biocombustível.

“A redução do mix açucareiro aconteceu muito mais por um momento de sobreoferta de açúcar no Brasil do que propriamente pela melhora nos preços do etanol. Essa foi a forma mais barata encontrada pelas usinas para diminuir esse excedente”, observa.

Por: Paulo Santos | Fonte: Globo Rural

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