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Usina Batatais registra prejuízo de R$ 142 milhões na safra 2025/26

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
10 julho, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 7 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Batatais reduz a moagem de cana, vê receita e EBITDA recuarem, amplia investimentos em renovação dos canaviais e reforça estratégia financeira com emissão de CRA

A Usina Batatais encerrou a safra 2025/26 com prejuízo líquido de R$ 142,1 milhões, revertendo o lucro de R$ 178,5 milhões registrado no ciclo anterior. O desempenho refletiu um ambiente desafiador para o setor, marcado pela menor disponibilidade de matéria-prima, redução da produtividade agrícola e retração dos preços do açúcar no mercado internacional ao longo da safra. As demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de março de 2026 foram divulgadas pela companhia no dia 30 de junho.

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A receita líquida consolidada totalizou R$ 1,602 bilhão, queda de 20,9% em relação aos R$ 2,025 bilhões registrados na safra 2024/25. O lucro bruto recuou 73%, passando de R$ 635,1 milhões para R$ 171,2 milhões, enquanto o EBIT caiu 90,2%, encerrando o exercício em R$ 48,3 milhões. O EBITDA contábil somou R$ 437 milhões, redução de 48,8%, e o EBITDA ajustado atingiu R$ 506,1 milhões, recuo de 34,5% frente ao ciclo anterior.

A menor oferta de matéria-prima refletiu diretamente no desempenho operacional da companhia. A moagem caiu 14,2%, passando de 6,349 milhões para 5,447 milhões de toneladas de cana.

Como consequência, praticamente todos os principais produtos registraram retração na comparação anual. A produção de açúcar bruto caiu 18,2%, totalizando 421 mil toneladas, enquanto a de açúcar branco recuou 13,1%, para 40 mil toneladas.

Na produção de etanol, o anidro apresentou a maior redução, de 37%, encerrando a safra em 52 mil metros cúbicos. Já o hidratado somou 115 mil metros cúbicos, queda de 14,7%. A geração de energia elétrica também diminuiu, passando de 119 mil para 98 mil MWh, retração de 18,1%.

Em consequência da menor produção, o volume equivalente em sacas de açúcar caiu 19,9%, passando de 17,79 milhões para 14,25 milhões de sacas. Apesar da redução da moagem, a companhia ampliou sua estratégia voltada ao açúcar. O mix açucareiro aumentou de 63,03% para 64,74% da cana processada.

Os indicadores agrícolas também foram pressionados durante a safra. O ATR de campo caiu 6,1%, passando de 142,90 para 134,13 quilos por tonelada de cana. A produtividade agrícola apresentou retração ainda mais significativa, passando de 82 para 65,79 toneladas por hectare, redução de 19,8%. Outro indicador afetado foi a Tonelada de Açúcar por Hectare (TAH), que caiu 24,7%, encerrando o período em 8.824.

Receita é pressionada pela queda nas vendas de açúcar

O açúcar continuou sendo o principal produto da companhia, mas foi justamente o segmento que registrou a maior redução de receita.

A receita líquida proveniente do açúcar caiu 25,5%, passando de R$ 1,41 bilhão para R$ 1,05 bilhão.

No etanol, a receita diminuiu 7,4%, encerrando o exercício em R$ 500,9 milhões. As receitas com CBios registraram retração de 77,3%, enquanto a comercialização de energia elétrica caiu 5,8%.

No mercado interno, a receita líquida recuou 11,7%, para R$ 638 milhões. Já no mercado externo, responsável pela maior parcela das vendas da companhia, a redução foi de 26%, encerrando o exercício em R$ 964,3 milhões.

Açúcar foi o produto de maior rentabilidade

Mesmo diante do ambiente desafiador, a companhia destaca que o açúcar permaneceu como o produto de melhor remuneração durante a safra. Segundo a administração, esse desempenho foi resultado da estratégia comercial de preços adotada pelo Grupo ao longo do exercício. Já a margem superior observada na categoria “Outros” decorreu principalmente da comercialização de cana-de-açúcar e de energia elétrica.

Ao analisar o ambiente de mercado, a administração afirma que a safra 2025/26 foi marcada por um movimento consistente de queda dos preços do açúcar negociado na Bolsa de Nova York.

No início do exercício, os contratos eram negociados próximos de 18,80 centavos de dólar por libra-peso. Ao final de março, as cotações haviam recuado para aproximadamente 15,50 centavos de dólar por libra-peso, representando desvalorização de cerca de 18%.

Segundo a companhia, a pressão baixista ocorreu porque a produção mundial surpreendeu o mercado ao superar as estimativas iniciais. As projeções apontavam uma safra mais curta em razão do período seco anterior à colheita, cenário que acabou não se confirmando.

Além do comportamento das cotações internacionais, o câmbio também contribuiu para reduzir a remuneração do açúcar em moeda nacional.

Durante a safra, o dólar recuou de aproximadamente R$ 5,70 para R$ 5,20. Combinados, os movimentos do mercado internacional e da taxa de câmbio resultaram em uma desvalorização próxima de 25% nos preços do açúcar em reais por tonelada ao longo do exercício.

Mesmo diante desse cenário, a Usina Batatais manteve sua estratégia de comercialização antecipada. Ao final de março de 2026, aproximadamente 25% da exposição da safra 2026/27 encontrava-se fixada ao equivalente a 94,51 centavos de real por libra-peso, ou cerca de R$ 2.171 por tonelada de açúcar (POL).

Segundo a administração, a companhia permanece atenta aos movimentos do mercado e continuará aproveitando oportunidades que permitam preservar as margens, mantendo sua política de gestão de riscos como base para decisões de longo prazo.

Investimentos seguem em expansão

Apesar do cenário mais desafiador, a companhia manteve elevado ritmo de investimentos. Ao longo da safra foram investidos R$ 590,7 milhões, acima dos R$ 541,2 milhões registrados no ciclo anterior.

Desse total, R$ 290,9 milhões foram destinados à cana-de-açúcar, R$ 223,9 milhões aos ativos biológicos e R$ 75,9 milhões aos ativos imobilizados e intangíveis.

Segundo a administração, os investimentos permanecem concentrados na renovação e expansão dos canaviais, além da substituição de equipamentos industriais e agrícolas, buscando ampliar a automação, modernizar processos e reduzir custos operacionais.

Companhia reforça estrutura financeira

A administração destaca que a estratégia financeira da Usina Batatais continua baseada na manutenção de uma posição robusta de liquidez, sustentada por níveis adequados de caixa, aplicações financeiras e disponibilidade de linhas de crédito.

Segundo a companhia, a gestão do endividamento prioriza o alongamento do perfil de vencimento das obrigações financeiras, reduzindo concentrações no curto prazo e mitigando riscos de refinanciamento.

Outro objetivo é diversificar a dívida entre diferentes modalidades de financiamento e indexadores, reduzindo a exposição a riscos de mercado e buscando otimizar o custo de capital.

Nesse contexto, em outubro de 2025, a empresa captou R$ 400 milhões por meio da emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), estruturados em duas séries.

A primeira, no valor de R$ 203,7 milhões, foi emitida a 104% do CDI. A segunda, de R$ 196,3 milhões, possui remuneração prefixada de 14,0941% ao ano, posteriormente convertida por operação de swap para CDI mais 0,40% ao ano.

Os juros serão pagos semestralmente, enquanto a amortização do principal ocorrerá em duas parcelas iguais, previstas para outubro de 2031 e outubro de 2032.

Do valor captado, R$ 10,7 milhões referem-se às despesas de estruturação da operação. Ao final de março, a dívida bruta bancária somava R$ 1,785 bilhão, enquanto a dívida líquida atingiu R$ 951,7 milhões, frente aos R$ 725,7 milhões registrados um ano antes.

A relação dívida líquida sobre EBITDA contábil passou de 0,85 vez para 2,18 vezes. Considerando o EBITDA ajustado, a alavancagem encerrou a safra em 1,75 vez.

Mesmo com o aumento do endividamento, a companhia destaca que mantém uma estrutura financeira voltada ao equilíbrio entre liquidez, alongamento dos vencimentos e gestão dos riscos financeiros, estratégia que deve continuar sustentando os investimentos na renovação agrícola e na modernização industrial ao longo dos próximos ciclos.

Por: Natália Cherubin | Fonte: RPAnews

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