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El Niño favorece produtividade da cana no Centro-Sul, mas pode atrasar colheita

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
21 julho, 2026
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Efeitos mais característicos do fenômeno devem ser sentidos a partir de setembro

A confirmação do El Niño e a possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte até o fim do ano desenham um cenário, em grande parte, positivo para a produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil.

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As chuvas mais frequentes previstas para a região devem favorecer o desenvolvimento dos canaviais, elevando a produtividade tanto no restante da safra 2026/27 quanto, principalmente, na temporada seguinte. Em contrapartida, o excesso de precipitação pode dificultar a colheita e reduzir o ritmo de moagem das usinas.

Em evento na semana passada, a consultoria Hedgepoint manteve praticamente inalterada sua estimativa para a safra brasileira 2026/27, em 635 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul.

“As chuvas recentes atrasam a moagem, mas não comprometem o potencial produtivo da cultura. Pelo contrário, podem favorecer o desenvolvimento da cana de fim de safra”, disse a coordenadora de inteligência de mercado da consultoria, Lívea Coda.

Segundo o professor do departamento de engenharia de biossistemas da Esalq-USP, Fabio Marin, anos de El Niño costumam ser benéficos para a cana na principal região produtora do país. “Normalmente, anos de El Niño, especialmente quando o fenômeno é forte, resultam em produção acima da média no Centro-Sul”, afirma.

O pesquisador destaca que os efeitos mais característicos do fenômeno devem ser sentidos a partir de setembro, quando o aquecimento do Oceano Pacífico passa a influenciar de forma mais efetiva a circulação atmosférica sobre o Brasil.

As chuvas acima da média esperadas para este segundo semestre tendem a melhorar a disponibilidade de água no solo e a favorecer a rebrota dos canaviais. Esse efeito já começa a beneficiar a safra atual e cria perspectivas mais otimistas para 2027.

“A cana colhida neste ano está brotando em uma condição de umidade muito melhor. Por isso, já começo a enxergar 2027 com bastante otimismo”, diz Marin.

O principal risco, porém, está na velocidade de operação das usinas. A maior frequência de chuvas dificulta o acesso das colheitadeiras às lavouras, reduz o ritmo da colheita e pode atrasar a moagem. Parte desse efeito já vem sendo observada desde junho. “O padrão desta safra deve ser de dificuldade para retirar a cana do campo e processá-la por causa da chuva”, afirma o pesquisador.

Além do impacto operacional, um volume maior de chuvas tende a limitar o avanço do teor de açúcar total recuperável (ATR), indicador que mede a concentração de sacarose na matéria-prima. O teor de açúcar pode ficar próximo da média, sem alcançar os níveis normalmente registrados entre agosto e setembro.

Ainda assim, segundo Marin, a maior produtividade deve compensar esse efeito, mantendo elevada a produção de açúcar por hectare.

No mercado global, entretanto, o fenômeno climático produz efeitos distintos. Enquanto o Brasil deve manter uma safra robusta, o El Niño ameaça importantes produtores de açúcar.

A Hedgepoint reduziu suas projeções para países como Tailândia, Índia, México e parte da Europa, onde são esperadas condições mais secas e quentes nos próximos meses, com potencial para reduzir a oferta de açúcar na temporada 2026/27. Com isso, a consultoria projeta um pequeno déficit global de açúcar, de 600 mil toneladas.

Na Tailândia, a consultoria prevê queda da produção diante da perspectiva de seca entre agosto e setembro, reduzindo também a capacidade de exportação do país. Na Índia, embora as monções tenham evoluído de forma relativamente favorável, o risco climático permanece elevado e pode limitar a produção caso a estiagem se intensifique nos próximos meses.

Nesse cenário, os preços do açúcar no mercado internacional podem subir, ainda que contidos pela safra brasileira.

“Estamos saindo de um contexto de um Hemisfério Norte e Brasil com produções robustas em 2025/26 para uma produção pior no Hemisfério Norte [na safra] 2026/27, compensada pela safra brasileira. Então, esperamos um mercado com preços levemente altistas”, avalia Lívea Coda.

Por: Luiz Eduardo Minervino | Fonte: Globo Rural 

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