Ministros têm buscado acordos com países produtores para garantir o fornecimento dos insumos

A alta nos preços dos fertilizantes e as dificuldades logísticas para aquisição desses produtos causadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio entraram no radar do governo federal. Ministros têm buscado acordos com países produtores para garantir o fornecimento dos insumos ao Brasil e mapeado a oferta mundial para acesso pelas empresas brasileiras.
O ministro da Agricultura, André de Paula, disse que o governo adotou a chamada “diplomacia dos fertilizantes” para tentar solucionar a necessidade imediata de compra desses insumos para a safra 2026/27. Ele ressaltou que o problema do Brasil é a escala, ou seja, a demanda por uma grande quantidade dos produtos.
“Começamos esse processo antes das guerras e a dependência de importações era entre 91% e 93%. Isso se agravou com as duas guerras e gerou um rebate direto nas dificuldades”, afirmou a jornalistas após a abertura do Outlook Agro Brasil, evento realizado pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Segundo ele, o tema tem sido tratado em várias conversas bilaterais. Recentemente, ele esteve na China e na Nigéria para negociar o fornecimento dos insumos. Sinalizações de garantias de entregas geraram “relativas normalizações” no mercado, disse André de Paula.
O ministro citou ainda a retomada de quatro fábricas de fertilizantes da Petrobras. “Teremos capacidade de autossuficiência de 35% de nitrogenados que importamos”, disse.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que viajará para a Índia na próxima semana e terá reuniões sobre o assunto com representantes de vários países.
Já o secretário de promoção comercial, ciência, tecnologia, inovação e cultura do Ministério das Relações Exteriores, Alex Giacomelli, disse que as embaixadas foram acionadas para mapear a oferta de fertilizantes ao redor do mundo. Foram feitas gestões com empresas e governos, afirmou, e uma lista com dados sobre a disponibilidade dos insumos foi repassada a companhias brasileiras.
Segundo ele, a medida poderá amenizar, principalmente, a demanda por fertilizantes fosfatados, mas não resolve a demanda por todos os nutrientes. Ele ressaltou a dificuldade da indústria de fertilizantes com os insumos, como enxofre e ácido sulfúrico. “Estamos todos trabalhando para resolver essa questão”, disse a jornalistas no evento.
Por: Rafael Walendorff | Fonte: Globo Rural
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