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Comgás cria novo modelo regulado para venda direta de biometano em São Paulo

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
14 setembro, 2026
em Biogás e Biometano
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Biocombustíveis Biogás e Biometano
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Modelo prevê início com mais de 2,6 mil metros cúbicos diários e depende da expansão da oferta do combustível produzido a partir de resíduos

A Comgás recebeu autorização da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) para iniciar a comercialização direta de biometano dentro do mercado regulado por meio do chamado “Mercado Cativo Verde”.

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O novo modelo permite que clientes dos segmentos industrial, refrigeração, cogeração e mobilidade, incluindo frotas e postos de gás natural veicular (GNV), contratem o fornecimento do gás renovável e seu atributo ambiental diretamente com a distribuidora.

A iniciativa cria uma alternativa para consumidores que desejam utilizar biometano sem migrar para o mercado livre de gás, ambiente em que o usuário compra o combustível diretamente de um comercializador e utiliza a rede de distribuição mediante contratação do serviço.

No Mercado Cativo Verde, a relação comercial permanece com a distribuidora, que utiliza a infraestrutura de gás encanado já existente. A rede da Comgás possui mais de 24 mil quilômetros de extensão no estado de São Paulo.

“O Mercado Cativo Verde amplia o acesso ao biometano para clientes que desejam avançar em sua agenda de descarbonização por meio de uma contratação direta com a distribuidora através do mercado cativo e que não desejam realizar a migração para o mercado livre”, afirma Henrique Sonja, diretor de Suprimentos da Comgás.

Modelo começa com 2,6 mil m³ por dia

A estrutura de fornecimento foi organizada pela companhia a partir de uma Chamada Pública. O volume inicial previsto é superior a 2.600 metros cúbicos por dia, com possibilidade de alcançar até 50 mil metros cúbicos diários, conforme a evolução da demanda, a disponibilidade de produção do biometano e as condições comerciais e regulatórias.

Segundo a empresa, a expansão do volume permitirá que clientes conectados à rede existente tenham acesso ao gás renovável sem necessidade de uma nova infraestrutura de distribuição.

Para a Comgás, a criação do novo modelo ocorre em paralelo ao avanço do mercado livre de gás e amplia as opções de contratação para consumidores interessados em reduzir emissões associadas ao uso energético.

“Não existe uma solução única para a transição energética e a atuação em diferentes frentes é fundamental para alavancar o ecossistema. Com o mercado cativo verde, a Comgás passa a ampliar o poder de escolha dos clientes na jornada de descarbonização, seja ela o mercado cativo verde ou mercado livre”, afirma Sonja.

A companhia estima que, com a evolução do novo ambiente de comercialização e sua integração com o mercado livre, sua infraestrutura poderá movimentar mais de 1 milhão de metros cúbicos de biometano por dia nos próximos anos.

Certificação busca garantir origem do gás renovável

Um dos pontos centrais do modelo é a rastreabilidade do atributo ambiental associado ao biometano. Para isso, a Comgás estruturou um sistema com auditoria externa independente e controles internos da companhia.

A certificação será baseada em três etapas: comprovação da origem renovável do combustível produzido, registro individual dos volumes certificados por empresas autorizadas e destinação exclusiva do registro associado ao atributo ambiental no momento da aquisição pelo cliente.

O objetivo é garantir que o benefício ambiental associado ao biometano seja vinculado de forma rastreável ao consumidor que contratou o produto.

Os controles internos da distribuidora também devem acompanhar a relação entre os volumes contratados, os volumes injetados na rede e os atributos ambientais associados a cada cliente.

Biometano ganha espaço na estratégia de transição energética

O biometano é um combustível renovável produzido a partir da valorização de resíduos orgânicos e possui características que permitem sua distribuição pela mesma infraestrutura utilizada pelo gás natural. Essa capacidade de substituição sem necessidade de uma nova rede é chamada de tecnologia drop-in, termo usado para soluções que podem ser incorporadas em sistemas existentes.

Desde 2024, a Comgás integra o biometano à sua operação por meio de duas plantas conectadas à rede de distribuição: a OneBio, em Paulínia, e a Costa Pinto, em Piracicaba.

As unidades já viabilizam a injeção de mais de 300 mil metros cúbicos por dia de gás renovável, produzido a partir de resíduos de aterros sanitários e do setor sucroalcooleiro.

Além disso, a companhia concluiu uma chamada pública para interconexão de novas plantas de biometano à rede de distribuição, seguindo a regulamentação vigente.

Segundo a empresa, a expansão do combustível está relacionada à demanda de setores como indústria, transporte público e frotas pesadas por alternativas para redução de emissões.

“O biometano passou a ocupar um espaço estratégico nas discussões sobre segurança energética. Quando olhamos para São Paulo, por exemplo, o estado concentra a maior capacidade de produção de biometano do Brasil”, afirma Sonja.

A adoção do biometano no estado paulista ocorre em um contexto de busca por alternativas ao gás natural de origem fóssil, mas sua expansão depende da disponibilidade da molécula renovável, da infraestrutura de conexão das plantas produtoras e da demanda dos consumidores.

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