Plano para 2027 a 2030 prevê expansão de etanol, biodiesel, SAF e biometano, mas parte das medidas ainda não possui metas, prazos ou detalhamento de execução
Reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguirá na Presidência da República no próximo mandato. Para o setor bioenergético, o programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral mantém os biocombustíveis entre as frentes da política energética, com propostas relacionadas a etanol, biodiesel, SAF, biometano e aproveitamento de resíduos agroindustriais.
O documento prevê continuar ampliando a produção de etanol de cana e milho, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF), além de estimular o aproveitamento de subprodutos da agroindústria para geração de bioenergia e biogás. Também propõe aprimorar o RenovaBio, incentivar biocombustíveis de novas gerações e fortalecer a atuação da Petrobras e da Petrobras Biocombustíveis nesse mercado.
Na demanda por etanol, o próximo governo encontrará uma política de mistura já em evolução. Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum utiliza temporariamente 32% de etanol anidro (E32), ante os 30% anteriores, por um período inicial de 180 dias. O programa eleitoral, porém, não apresenta uma nova meta obrigatória de mistura nem estabelece cronograma específico para percentuais superiores, deixando eventuais mudanças dependentes de novas decisões regulatórias e avaliações técnicas.
Outra frente prevista envolve mercados que vêm ganhando espaço nas estratégias das usinas, como SAF, biometano e combustíveis marítimos de menor intensidade de carbono. Para o setor sucroenergético, essas rotas podem ampliar as possibilidades de diversificação e aproveitamento de biomassa e resíduos, mas sua expansão dependerá de fatores como competitividade, investimentos, infraestrutura, regulamentação e criação efetiva de demanda.
O plano também associa a expansão da bioenergia à transição energética e à política industrial, ao mesmo tempo em que mantém petróleo e gás dentro da estratégia energética nacional. Essa combinação indica que o próximo mandato deverá continuar buscando maior participação de fontes renováveis sem prever, no curto prazo, abandono das fontes fósseis.
Para usinas e fornecedores, portanto, o documento sinaliza continuidade das políticas de estímulo aos biocombustíveis e abertura de novos mercados, mas ainda há pontos importantes sem definição. Em várias das propostas relacionadas à bioenergia, o programa não estabelece metas quantitativas, custos ou prazos de implantação. A regulamentação e as decisões tomadas a partir de 2027 serão determinantes para medir o impacto efetivo dessas diretrizes sobre o setor.
Fonte: Redação – Portal Visão Agro
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