A São Martinho atualizou o calendário da ampliação na Unidade Boa Vista, em Quirinópolis (GO): a segunda fase, de R$ 1,1 bilhão, poderá acrescentar 270 milhões de litros anuais de etanol de milho a partir de 2027.
Em Goiás, a São Martinho prepara mais um salto na produção de etanol feito de milho, grão que ganha espaço nas destilarias brasileiras. A companhia está concluindo a segunda fase industrial na Unidade Boa Vista, em Quirinópolis, e prevê colocar a nova estrutura em funcionamento em junho ou julho de 2027.
A ampliação tem porte suficiente para processar 635 mil toneladas de milho por ano e acrescentar capacidade de produção de 270 milhões de litros anuais de etanol. O projeto industrial foi aprovado em 2025, mas ganhou uma atualização de cronograma em outubro de 2026, durante debate com executivos do setor em Ribeirão Preto.
Executivo atualiza o calendário de 2027 enquanto a expansão avança em Quirinópolis
O diretor financeiro da São Martinho, Felipe Vicchiato, afirmou em encontro do Vision Tech Summit que a empresa está concluindo a segunda estrutura destinada ao etanol de milho em Goiás. No painel, a expectativa apresentada era começar a produzir em junho ou julho de 2027.
O projeto faz parte da Unidade Boa Vista, onde a companhia já produz etanol a partir de cana e milho. A segunda fase amplia a operação existente e utiliza parte da infraestrutura energética local, com integração entre os processos industriais.
A previsão de junho ou julho de 2027 atualiza o cronograma que antes apontava para o segundo semestre daquele ano. A entrada em operação, os testes e a produção em capacidade plena poderão ocorrer em etapas diferentes à medida que as instalações forem concluídas.
Projeto de R$ 1,1 bilhão promete acrescentar 270 milhões de litros ao ano
O plano anunciado ao mercado em agosto de 2025 prevê investimento estimado de R$ 1,1 bilhão. Serão construídas instalações industriais e uma estrutura externa para armazenar 240 mil toneladas de milho, além de adaptações para aproveitar melhor o vapor e a energia disponíveis na usina.
A capacidade adicional prevista envolve 635 mil toneladas anuais de milho, transformadas em até 270 milhões de litros de etanol, 170 mil toneladas de DDGS e 13 mil toneladas de óleo de milho. O DDGS é um ingrediente proteico derivado do processamento do grão e pode ser utilizado na alimentação animal.
Somadas a primeira e a segunda fases, a capacidade instalada da unidade chegará a aproximadamente 1,15 milhão de toneladas de milho processadas por ano, cerca de 485 milhões de litros de etanol, 310 mil toneladas de DDGS e 21 mil toneladas de óleo de milho, segundo documentos de relações com investidores da São Martinho.
Financiamento público ajuda a transformar uma usina de cana em complexo de milho
O BNDES aprovou R$ 625 milhões para a expansão, sendo R$ 500 milhões do Fundo Clima e R$ 125 milhões do BNDES Finem. A Finep participa com aproximadamente R$ 102,8 milhões, conforme informações oficiais do financiamento divulgadas em 2025.
O apoio viabiliza estruturas para receber, estocar e processar o grão. A integração com a unidade de cana permite aproveitar instalações de geração de vapor e energia, uma das características que diferencia o empreendimento de um complexo inteiramente novo e isolado.
O BNDES informou que parte relevante dos recursos do projeto será aplicada na aquisição de máquinas fabricadas no Brasil. A operação industrial, contudo, continua condicionada à execução das obras e ao calendário de implantação.
Milho entrega combustível, ração e óleo na mesma linha de produção
O grão recebido na usina passa por etapas industriais que liberam o amido utilizado para produzir álcool. A fermentação e a destilação geram o etanol; outras frações do milho seguem para produtos como DDGS e óleo de milho.
Esse aproveitamento de vários produtos cria fontes distintas de receita e aproxima a indústria de biocombustíveis da cadeia de alimentação animal. Também ajuda a explicar por que a disponibilidade de milho, seu custo de transporte e o mercado dos coprodutos entram no cálculo dos investimentos.

O etanol produzido poderá ser anidro, destinado à mistura com gasolina, ou hidratado, vendido diretamente nos postos, conforme a estratégia operacional e as condições de mercado informadas pela companhia.
Preço da gasolina e custos do milho decidirão se haverá novas ampliações
No mesmo encontro de outubro, Vicchiato afirmou que decisões sobre outros projetos dependerão dos preços do etanol, do petróleo e da gasolina. O executivo acrescentou que a empresa busca reduzir custos agrícolas e elevar a produtividade das lavouras de cana.
A produção de etanol de milho exige fornecimento regular de grãos, armazenamento, transporte e energia; por isso, preço e logística mudam a conta de cada nova fábrica. A São Martinho já comprometeu recursos na segunda fase da Boa Vista; projetos adicionais serão avaliados conforme o mercado.
Para o interior de Goiás, o próximo marco é a entrada em funcionamento da expansão em 2027. A estrutura deverá elevar a capacidade industrial de uma planta que já combina cana e milho, reforçando a presença do grão na produção nacional de combustíveis renováveis.
Você acha que o etanol de milho ganhará mais espaço nos postos brasileiros? Conte nos comentários e compartilhe a notícia com quem acompanha as indústrias de Goiás.
Por: Flavia Marinho | Fonte: CPG
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