O Vision Tech Summit – A Usina do Amanhã, promovido pela Visão Agro em Ribeirão Preto (SP), reuniu algumas das principais lideranças do setor no painel “Líderes da Bioenergia: Margens, Investimentos e Próximas Decisões”. Moderado por Alexandre Ramos (Mahal), CEO da Visão Agro, o debate contou com Felipe Vicchiato, da São Martinho; Renato Pretti, da CerradinhoBio; Ricardo Toniello, da Viralcool; e Hugo Cagno, presidente da UDOP, em uma conversa franca sobre expansão, margens, eficiência, etanol de milho e as próximas decisões do setor.
Ao longo do painel, os executivos discutiram etanol de milho, rentabilidade, investimentos, diversificação, mercado de açúcar, carros elétricos, híbridos e flex, além dos impactos dessas transformações sobre a competitividade das usinas. As falas trouxeram visões distintas sobre o avanço do milho, os desafios de biomassa e logística, a necessidade de novos mercados para o etanol e a importância de equilibrar eficiência, risco e capacidade de investimento.
Com contrapontos entre representantes de diferentes grupos e da UDOP, o debate mostrou como cada empresa está olhando para o próximo ciclo da bioenergia e quais fatores devem pesar nas decisões de expansão e diversificação.
Na CerradinhoBio, Renato Pretti destacou que novos projetos precisam se sustentar mesmo em cenários de estresse, ter aderência à estratégia da companhia e contar com condições adequadas de financiamento. O executivo também apontou a diversificação como uma necessidade: há cinco anos, cerca de 80% das receitas da empresa vinham do etanol; atualmente, essa participação caiu para 50%, enquanto o negócio de milho já representa aproximadamente 70% da receita líquida da companhia.
Felipe Vicchiato afirmou que a São Martinho já realizou aproximadamente R$ 2,5 bilhões em investimentos nas duas plantas de etanol de milho, considerando capital de giro, e alertou para a pressão competitiva que a expansão dessa produção pode exercer sobre o etanol de cana. Ricardo Toniello, por sua vez, defendeu uma análise mais ampla sobre custos, biomassa, logística e eficiência antes de tratar o milho como solução única, trazendo ao painel um contraponto que esquentou a discussão.
Hugo Cagno, presidente da UDOP, reforçou a resiliência histórica do setor e defendeu o avanço conjunto de cana e milho para atender às novas demandas por biocombustíveis. O painel mostrou diferentes leituras sobre investimento, diversificação, biomassa e competitividade, em um debate direto entre quem está tomando decisões hoje dentro das usinas e das entidades do setor.
Ricardo Toniello, da Viralcool, enfatizou que as decisões de expansão do grupo passam menos por “crescer por crescer” e mais por identificar oportunidades com sinergia, eficiência e ganho operacional, como ocorreu nas aquisições recentes. Sobre o avanço do etanol de milho, adotou uma visão mais cautelosa, destacando que biomassa, logística, frete, disponibilidade de matéria-prima e custos precisam entrar na conta antes de qualquer decisão. Para ele, o caminho mais sólido está na flexibilidade e integração entre diferentes produtos e rotas, combinando cana, milho, açúcar, energia e outros negócios para aumentar a eficiência e a resiliência das usinas.
Assista ao painel completo do Vision Tech Summit 2026 e acompanhe a discussão entre algumas das principais lideranças do setor:
Por: Fábio Palaveri | Fonte: Portal Visão Agro
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