
Teve início nesta quarta-feira (12) a 9ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, um dos mais importantes eventos do setor sucroenergético brasileiro. Realizado no Taiwan Centro de Eventos, em Ribeirão Preto (SP), o encontro reúne empresários, produtores, fornecedores, executivos de usinas e autoridades para debater os desafios e oportunidades da nova safra de cana-de-açúcar. O evento, que segue até quinta-feira (13), marca o início oficial do novo ciclo produtivo e traz análises de mercado, projeções para a produção e discussões sobre temas estratégicos, como sustentabilidade, inovação e o avanço dos biocombustíveis.
A abertura do evento foi marcada pelo otimismo do setor, impulsionado pelas expectativas em torno do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%, medida prevista para ser implementada em 2025. Além disso, a ampliação do mercado e o fortalecimento dos biocombustíveis foram temas centrais nas discussões do primeiro dia. Com uma programação extensa, que inclui painéis técnicos e econômicos, a conferência também se destaca como um espaço estratégico para networking e troca de experiências entre os principais players da cadeia sucroenergética.

Durante sua apresentação, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, destacou a capacidade de resiliência do agronegócio brasileiro, que continua entregando resultados positivos mesmo diante de um cenário global instável, impactado por reviravoltas geopolíticas e pelos desafios climáticos, como as secas que afetaram as últimas safras. “O agro brasileiro é reconhecido por sua eficiência, sustentabilidade e capacidade de produzir com custos reduzidos, garantindo competitividade no mercado internacional”, afirmou. Ele ressaltou que, apesar das adversidades, o setor segue inovando e se adaptando para manter sua posição de destaque no cenário global.
São Paulo e as exportações no agronegócio
O secretário de Abastecimento da Agricultura do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, também participou da abertura do evento e enfatizou a força do agronegócio paulista. Ele destacou que, com apenas 20 milhões de hectares de área cultivável, São Paulo já ultrapassa o Mato Grosso em volume de exportações, consolidando-se como o estado líder no comércio exterior do setor agropecuário brasileiro.

“Qual setor é responsável por essa posição de liderança, que impulsiona o PIB, fortalece a balança comercial e sustenta a geração de empregos no agro paulista? O setor sucroenergético”, declarou Piai. Ele atribuiu esse desempenho ao trabalho árduo dos produtores rurais, aos investimentos em tecnologia e ao avanço das pesquisas agrícolas. “São vocês, mulheres e homens do campo, que acreditaram e fizeram isso acontecer”, afirmou, agradecendo o empenho dos profissionais do setor.
Biocombustíveis, etanol e desafios internacionais
Outro destaque do primeiro dia da 9ª DATAGRO foi a participação do deputado federal Arnaldo Jardim, que abordou os avanços na pauta dos biocombustíveis e os desafios que o setor ainda enfrenta. Ele destacou a importância da mobilização do agronegócio em eventos de relevância global, como o GAFFFF e o encontro sobre etanol de milho em Cuiabá, especialmente em um ano em que o Brasil assume a presidência do BRICS e será anfitrião da COP.
Jardim comemorou a recente sanção da lei do Combustível do Futuro, na qual atuou como relator, e antecipou que os estudos técnicos sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina já estão concluídos e indicam viabilidade para a mudança. “Nós vamos pular dos 27% para 30% de etanol na gasolina, ampliando mercado, criando oportunidades e fortalecendo os biocombustíveis”, afirmou.
Porém, o deputado alertou para ameaças ao setor, como as pressões externas para a abertura do mercado brasileiro ao etanol estrangeiro, especialmente dos Estados Unidos. Ele ressaltou que o Brasil deve manter uma política de proteção e valorização da produção nacional, garantindo segurança energética e alimentar.

“Há uma narrativa equivocada, muitas vezes estimulada pela Europa, de que a produção de biocombustíveis impactaria negativamente a oferta de alimentos. Isso não é verdade. O Brasil já demonstrou que é possível expandir a produção de biocombustíveis sem comprometer a segurança alimentar”, afirmou Jardim. Ele citou exemplos como o DDG, subproduto do etanol de milho utilizado na alimentação animal, e o farelo de soja, resultante da produção de biodiesel, como provas de que a cadeia produtiva pode ser sustentável e eficiente.
Além disso, Jardim destacou a necessidade de equilibrar as negociações internacionais. Ele criticou a disparidade no comércio de açúcar e etanol entre Brasil e Estados Unidos, mencionando que a cota brasileira de exportação de açúcar para os EUA ainda é muito pequena, enquanto há pressão para que o Brasil aumente a importação de etanol americano.
Fonte: Fábio Palaveri – Visão Agro
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