Para o professor Marcos Fava Neves, aumento de juros, queda no preço do açúcar e do etanol e valorização do real contribuíram para a crise na empresa
A Raízen informou nesta quarta-feira (11) que protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo. De acordo com a companhia, o processo foi estruturado de forma consensual com os principais credores financeiros, contando com apoio de 47% deles, a maioria bancos internacionais.
Segundo Marcos Fava Neves, professor e fundador da Markestrat, a empresa enfrenta uma combinação de fatores externos e internos que levaram a essa situação. “Olha, uma tempestade perfeita nos últimos 12 meses aí”, afirmou ele ao analisar o cenário que afetou a Raízen no CNN Agro News desta quarta-feira (11).
No ambiente externo, diversos fatores contribuíram para a deterioração da situação financeira da empresa. “Aumento de juros, acesso a crédito piorou, preço do açúcar caiu, preço do etanol caiu porque o petróleo também caiu, o real se valorizou”, explicou Fava Neves. Além disso, o aumento do custo de produção, uma safra pior e a entrada do etanol de milho no mercado também prejudicaram o desempenho da companhia.
Problemas internos afetaram competitividade
O professor destacou que, embora todas as empresas do setor sucroalcooleiro tenham sido afetadas pelo cenário externo adverso, algumas conseguiram superar as dificuldades com mais facilidade que a Raízen. Entre os problemas internos, ele aponta o rápido crescimento da dívida e a expansão acelerada com aquisição de diversas usinas.
“Na minha leitura, ela teve uma ânsia de crescimento. Talvez tenha sido grande”, avaliou Fava Neves. Ele também mencionou desafios na produtividade dos canaviais, que ficou mais baixa em comparação aos concorrentes, além de trocas de executivos e investimentos em diversificações não correlatas, como o etanol de segunda geração, que ainda não deu o retorno esperado.
Apesar da situação preocupante, o professor ressalta a importância da recuperação da empresa para o setor. “Ela é a maior empresa de bioenergia que o Brasil tem, extremamente tradicional”, afirmou. Ele destacou que a cadeia de fornecedores, desde produtores de cana até fornecedores de insumos, pode ser fortemente afetada caso a empresa enfrente problemas mais graves.
Para o futuro, Fava Neves aponta que é necessário acompanhar a geração de caixa da empresa, que caiu significativamente em comparação ao ano anterior. “Nós temos que torcer para a geração de caixa vir forte, para ela se mostrar saudável para pagar”, concluiu, ressaltando também a importância de um compromisso mais forte dos controladores da Raízen neste momento crítico.
Fonte: CNN Brasil
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.











