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‘Brasil agora tem etanol para enfrentar choque do petróleo’, diz presidente da Unica

Maria Reis por Maria Reis
16 março, 2026
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Biocombustíveis
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Para Evandro Gussi, mesmo que conflito perdure, não há risco de desabastecimento no país graças ao biocombustível

Evandro Gussi, presidente da Unica: Oferta de etanol vai impedir qualquer risco de desabastecimento — Foto: Daniel Fagundes/ Valor

O cenário geopolítico atual está reeditando o choque do petróleo da década de 1970, mas desta vez o Brasil não está tão vulnerável ao desabastecimento. Desde a experiência do Proálcool, a criação do motor flex, até políticas públicas mais recentes, o resultado é que o país tem hoje uma oferta excedente de etanol que pode servir como alternativa de segurança energética, disse Evandro Gussi, presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

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Segundo o dirigente, o país está às portas de uma safra (2026/27), que começa em abril, em que a produção de etanol deverá crescer 4 bilhões de litros, cerca de 10% a mais que no ciclo anterior, o que deve garantir conforto ao abastecimento da frota flex de automóveis.

“Estamos vendo os efeitos de uma escalada, que não sabemos até onde vai, com intensa volatilidade do petróleo, em um cenário que reproduz, com as devidas proporções, a década de 1970, em que houve o choque do petróleo e suas consequências. Naquela ocasião, o mundo inteiro estava despreparado, inclusive o Brasil”, lembrou Gussi.
Foi aquela situação que destravou a criação do Proálcool, dando as bases para a indústria de etanol no país. Na última década, outras políticas deram outros impulsos ao setor, como as leis Mover, RenovaBio, e Combustível do Futuro.

Em paralelo, a abundância de milho no Centro-Oeste incentivou empresários a investirem em usinas de etanol de milho, que sozinhas devem ofertar na próxima safra 12 bilhões de litros.

Segundo Gussi, a oferta de etanol que virá na safra 2026/27do Centro-Sul — projeções de consultorias privadas indicam entre 37 bilhões de litros e 38 bilhões de litros — será suficiente para impedir problemas no abastecimento e atender a mistura de 30% de etanol anidro na gasolina e garantir disponibilidade de etanol hidratado para concorrer com a gasolina.

“Ainda que o conflito permaneça, não vemos risco nenhum de desabastecimento, enquanto outros países, inclusive países desenvolvidos, passam a lidar com essa variável”, afirmou.

Gussi preferiu não indicar para onde poderão ir os preços de etanol, mas disse que, historicamente, nos últimos 20 anos, o renovável garantiu uma “economia substancial” e “significou um amortecedor importante para o consumo de combustível”.

Ele avalia, porém, que o etanol hidratado tem de conquistar mais mercados além do já consolidado consumo de São Paulo. “Há consumidor que nem sabe que o veículo dele é flex, não sabe que pode usar etanol”, afirmou.

Alguns cálculos do mercado indicam que mais da metade da frota flex brasileira nunca abasteceu com etanol — independentemente de o biocombustível estar ou não mais competitivo do que a gasolina por onde transita.

O ano em que o etanol hidratado teve seu máximo de participação de mercado no ciclo Otto (combustíveis para veículos leves) foi em 2019, quando essa fatia chegou a 29,2%. Naquele ano, a produção de etanol hidratado do Centro-Sul também foi recorde, de 22,5 bilhões de litros.

Gussi disse que a indústria tem feito um trabalho de “conscientização”, e que os “mitos” que rondavam o uso do etanol no carro estão “caindo por terra”.

Biometano

Para que toda essa oferta esperada de etanol chegue ao mercado, a indústria terá de garantir a colheita de cana-de-açúcar e milho, que é movida a diesel. Por ora, o dirigente não acredita que haverá problemas no abastecimento do diesel para garantir a operação normal da safra. Mas ele ressaltou que já há usinas utilizando em parte de suas frotas o biometano, resultado da decomposição dos resíduos da própria indústria, o que também fornece uma alternativa de segurança para a operação.

“Há usinas que já substituíram mais de 1 milhão de litros de diesel por biometano. Isso vai ser uma solução importante para o futuro”, defendeu. Esse movimento de substituição vem sendo impulsionado por uma combinação de redução de custos — o diesel é o maior custo da agroindústria da cana — e diminuição das emissões de gases de efeito estufa, o que pode lhes garantir maior remuneração com maior emissão de Créditos de Descarbonização (CBios).

Além do RenovaBio, que criou o sistema de remuneração da descarbonização das usinas, a Lei Combustível do Futuro também cria um mercado garantido para o biometano, e está agora em fase de regulamentação. Para Gussi, a regulamentação da lei e a resposta do setor de biometano tem tido um desenvolvimento “relevante”. “O biometano está respondendo muito mais rápido que o Proalcool na década de 70”, avaliou.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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