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Brics ampliado terá quase metade da produção de petróleo global

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
4 setembro, 2023
em Economia, Política e Governo
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado Economia
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A expansão do Brics, composto atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, fará com que o bloco tenha quase metade da produção mundial de petróleo.

A partir de 2024, o grupo terá mais 6 integrantes: Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. O anúncio da ampliação foi feito durante o encerramento da cúpula do Brics em Joanesburgo, na África do Sul, em 24 de agosto.

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Com a nova conjuntura, o Brics terá uma produção diária de 36,7 milhões de bpd (barris de petróleo por dia). Trata-se de 45% da extração mundial, que é de 81,2 milhões de barris/dia. Com a atual formação, o bloco produz 17,5 milhões de bpd (23% do total global). O levantamento foi feito a pedido do Poder360 pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), com base nos dados do Energy Institute.

O crescimento do bloco é visto como uma vitória da China, que quer ampliar sua influência global. A população do Brics passa de 41% para 46% do planeta. Já o PIB por paridade de poder de compra será de 36,6% do total mundial, segundo estudos aos quais o Poder360 teve acesso.

Os chineses trouxeram para o Brics alguns dos maiores pesos-pesados do setor de petróleo e gás, com destaque para a Arábia Saudita. O país responde, sozinho, por 13% da produção de óleo no planeta, com um volume diário bem próximo da Rússia, que ainda lidera.

Juntos, Emirados Árabes e Irã somam mais 8%. Ambos produzem pouco óleo a mais que o Brasil, mas se destacam na extração de gás natural. Os iranianos detém 6% da oferta global de gás.

Com as aquisições feitas, o bloco vai ter 36% da produção de gás do planeta, com 1.437 bilhões de m³ (metros cúbicos) por ano. A Rússia detém, sozinha, 15% do total.

Na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a escolha dos novos integrantes do Brics não foi feita de forma aleatória ou por viés ideológico. Segundo ele, os países selecionados estavam pedindo para fazer parte do bloco há muito tempo e a decisão foi baseada na importância geopolítica de cada nação.

Dos 6 novos países que vão integrar o Brics, 3 deles fazem parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que reúne os maiores produtores do óleo no mundo. São eles: Arábia Saudita, Emirados Árabes e Irã. Até o momento, nenhum país do bloco fazia parte do organismo do setor, que é liderado pelos sauditas.

A Opep comercializa e regulamenta a produção dos seus membros, ditando os rumos do setor globalmente, com cortes e incrementos na extração de acordo com a demanda, o que impacta nos preços no mundo todo.

Na cúpula do bloco, Lula disse que, com a expansão, “qualquer ser humano que quiser discutir a geopolítica vai ter que conversar com o Brics também. Não é só com os Estados Unidos e não é só com o G7”. A tendência é que isso se concretize pelo menos na área de energia.

De acordo com Roberto Ardenghy, presidente do IBP, embora o Brics não vá negociar petróleo como faz a Opep, terá mais poder e voz nas discussões globais sobre o setor, podendo se capitalizar como um importante fórum de discussão e uma referência energética, juntando potências na produção de óleo e gás com outras que se destacam em energias renováveis, caso do Brasil.

“O Brics não será um mecanismo de imposição como é a Opep e nem tem perspectiva de uma integração de políticas energéticas já que não é uma zona de livre comércio ou mercado comum. É um mecanismo de concentração e discussão política que, com esse reforço, eleva a questão da energia como um todo. A agenda energética mundial vai ter o Brics como um fórum a ser levado em consideração, devendo passar pelo bloco todas as grandes discussões sobre a questão energética mundial”.

Ardenghy avalia que a ampliação será positiva para o Brasil. Ele afirma que ter mais voz ajudará o Brics a enfrentar debates complexos, como o da transição energética. Caso se organize para isso, terá chances de bater de frente com os países mais desenvolvidos por acordos menos punitivos para nações em desenvolvimento, buscando uma transição mais justa e inclusiva.

Em geral, os países mais pobres exploram há menos tempo suas reservas de petróleo e gás. Ainda dependem dos recursos dessa produção para o seu crescimento e a redução de desigualdades. Atualmente, por exemplo, milhões de pessoas ainda vivem à margem da chamada sociedade energética. Só na África, 400 milhões não têm acesso a nenhum tipo de energia.

“É uma oportunidade para o Brics ter uma maior coordenação e menor dependência das políticas dos países maiores. Poderá fazer pressões internacionais conforme a sua agenda, como a da transição energética justa, e equilibrar mais esse jogo. Então essa ampliação, seja por qual motivo for, é positiva para o Brasil e nós temos muito a ganhar no setor de energia, tanto nas tradicionais como nas renováveis”, afirma.


Fonte: Poder 360

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