Artigo do Prof. Marcos Fava Neves e equipe analisa os números da safra 2025/26 e destaca os principais fatores que devem ser acompanhados em novembro
A moagem acumulada da safra 2025/26 até 1º de outubro somou 490,9 milhões de toneladas, uma queda de 3% em relação às 506 milhões do ciclo anterior, segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). No fim de setembro, 259 usinas estavam em operação no Centro-Sul — 238 processando cana, 10 fabricando etanol de milho e 11 flex. O ATR acumulado foi de 136,04 kg/t (-3,6%). O mix de produção seguiu direcionado ao açúcar (52,7%), enquanto o etanol ficou em 47,3%, mostrando recuo nas últimas quinzenas, principalmente nas usinas do Centro-Oeste, onde a maior atratividade do biocombustível puxou a mudança.
Segundo o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), a produtividade na região Centro-Sul caiu 6,5%, com média de 77,7 t/ha entre abril e setembro, contra 83,2 t/ha no ano anterior. Em setembro, o desempenho foi semelhante (71,9 t/ha ante 70,4 t/ha), mas a qualidade da matéria-prima teve leve recuo. Esses indicadores mostram que, embora a produtividade tenha mantido certa regularidade no curto prazo, o rendimento médio segue abaixo do histórico, refletindo desafios climáticos e agronômicos.
As projeções do NovaCana, com base na média de 19 consultorias, indicam que a moagem deve fechar em 596,9 milhões de toneladas (-4%), o menor volume desde 2022/23. A produção de açúcar tende a ficar estável, enquanto o etanol sofrerá retração mais acentuada, com queda de 1,2% no ATR. Para 2026/27, a expectativa é de recuperação de 3,1%, chegando a 615,2 milhões de toneladas. O açúcar acumulado até 1º de outubro atingiu 33,5 milhões de toneladas, ligeiramente acima do ciclo anterior (33,2 mi t), mesmo com redução no ATR.
Nas exportações, o setor enfrentou queda em volume e receita em setembro, mesmo com a China assumindo a liderança das compras após a tarifa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros. Segundo a Secex, o Brasil exportou 3,2 milhões de toneladas (-16,4%), com preço médio de US$ 403,3/t, totalizando US$ 1,3 bilhão (-26,6%). Os embarques para os EUA despencaram de 133 mil t para 21 mil t, afetando especialmente o segmento de açúcar orgânico. No acumulado de 2025, as vendas externas somam 23,4 mi t (-17,2%) e US$ 10,16 bi (-26,7%), refletindo barreiras comerciais e a dependência crescente de mercados como China, Índia e países árabes.
Para novembro, os analistas destacam cinco pontos de atenção: o andamento da moagem, com ritmo reduzido em algumas usinas e encerramento próximo; as condições climáticas influenciadas pelo La Niña; o desempenho do açúcar diante das barreiras americanas e novos mercados; a reação das vendas de etanol apoiada no E30 e na demanda doméstica; e a evolução dos preços do petróleo e do ATR, que definirão a rentabilidade das usinas neste fim de safra.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro – com informações do portal Doutor Agro
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