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China compra mais de 10 navios de soja dos EUA e busca alinhar abastecimento, afirma analista de mercado

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
21 julho, 2022
em Internacional, Mundo Agro, Soja
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado Internacional
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O mercado da soja trabalha com a informação de que a China teria comprado mais de 10 navios de soja dos Estados Unidos nesta terça-feira (19). Embora em ritmo mais lento do que em anos anteriores, a nação asiática tem feito novas compras para estar abastecida como deve para os próximos meses e parece estar aproveitando a recente queda nos preços para garantir mais produto. 

Assim, de acordo com o senior risk manager da hEDGE Point Global Markets,  Victor Martins, as estatais Sinograin e uma trading privada estão bastante ativas na originação de soja nesta semana, cobrindo, especialmente, posições para outubro/novembro e fevereiro/março, ” visando recompor estoques após recentes leilões para o mercado interno”. 

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Ainda segundo a consultoria, nesta segunda (18), a China já havia originado outros dois cargos de soja norte-americana pelos portos do Golfo, ambos com bons prêmios sobre os valores praticados na Bolsa de Chicago, sendo um para embarque outubro – com prêmio de US$ 3,60 por bushel sobre o vencimento novembro/22 na CBOT CFR China (custo e frete), outro para novembro, com US$ 1,54 de prêmio, base FOB, sobre o mesmo vencimento. 

Com este volume confirmado, a China já teria comprado mais de 800 mil toneladas de soja norte-americana da safra 2022/23 nos últimos dois dias, segundo Martins.

O senior risk manager reforça que a China está pouco coberta para o quarto trimestre do ano, período que é crucial de participação dos EUA no mercado de exportação. Todavia, ele lembra ainda que o norte-americanos já comprometeram um volume considerável de soja 2022/23. 

“Devemos lembrar que para a temporada nova, os EUA possuem seu maior volume de soja comprometida para uma safra nova desde a temporada 2012/2013, em aproximadamente 13,851 milhões de toneladas, equivalente em 23% do total estimado na exportação pelo USDA para a safra 2022/23, que é de 58,1 milhões de toneladas”, diz Martins.  

Ele completa dizendo que “deste montante, o total comprometido ‘não China’ (China+Desconhecidos) é o maior desde a temporada 2017/18. O volume de soja comprometido pelos EUA é sem precedentes, e o clima é ameaçador para a oferta”.

E enquanto as condições climáticas do Corn Belt não são as mais adequadas e podem resultar em uma safra menor do que o inicialmente estimado – atualmente projetada em 122,61 milhões de toneladas – o gigante asiático tem apenas pouco mais de 53% de sua demanda atendida para o período de outubro a dezembro. 

“E essa é uma  janela essa que tende a ser um dos picos de originação de soja pela China em meio ao aumento na demanda das encomendas pelas fábricas de rações que, por sua vez, visam garantir o suprimento de matéria-prima para os suinocultores em meio ao aumento sazonal no ciclo de engorda e abate,  que daqui uns meses se intensificará para suprir o varejo com a proximidade do feriado do Ano Novo Lunar”, detalha o senior risk manager da hEDGE Point Global Markets.

A recente melhora nas margens da suinocultura deram fôlego também para um incremento nas margens das processadoras de soja nas últimas semanas, o que ajuda no estímulo às compras da oleaginosa. 

“Podemos ver um movimento de antecipação dos produtores em travar essas margens, o que leva a uma antecipação nas encomendas e consequente alongamento nas compras, fazendo com que a estratégia de compra de mão para boca possa ser perigosa para as indústrias, que possuem baixos estoques de soja disponível”, explica. 

Neste processo, o executivo afirma que o maior desafio agora será o de avaliar o quão baixos são os estoques de soja da China e em que momento a maior compradora global da oleaginosa poderia ser pega “desprevenida” em um cenário de oferta menor nos Estados Unidos. Afinal, além de um quadro climático ainda bastante irregular no Meio-Oeste americano, o país já conta com um bom volume de soja comprometida com a exportação. 

A relação de estoque x uso nos EUA continua muito apertada. Nos cálculos de Victor Martins, “os atuais estoques equivalem, em produtividade, a aproximadamente 2,6 bushels por acre. Se o clima durante agosto não for favorável e os EUA perderem apenas 1,3 bushel de produtividade, o estoque final cai para 3,13 milhões de toneladas (115 milhões de bushels, um volume sem precedentes. A questão que fica é: a China irá esperar para ver se o pior pode acontecer?”. 

Nesta segunda-feira (18), o Notícias Agrícolas destacou os dados das importações chinesas de produtos agrícolas no primeiro semestre de 2022 mostrando um volume 5,5% menor na comparação com o mesmo período do ano passado. As importações de soja da nação asiática foram de 46,290 milhões de toneladas na primeira metade deste ano. 

Ao lado dos temores todos que rondam a economia global, afinal, a China ainda passou por novos surtos e picos de Covid-19 este ano, impôs severos lockdowns a uma imensa parcela de sua população e os impactos de suas últimas medidas continuam a ser sentidos. Ainda assim, o mercado segue esperando um novo fôlego da demanda chinesa pela oleaginosa, uma vez que ela o gigante ainda precisa vir a mercado para estar abastecido nos próximos meses. 

A grande questão que o mercado se faz agora é como a China fará para encaixar todas as peças do quebra-cabeça. De um lado, precisa fazer algumas compras nos próximos meses, de outro, ainda sente a pressão de margens de esmagamento que não estão em seu melhor momento, o que a faz buscar planejar suas novas aquisições onde a oleaginosa estiver mais atrativa necessariamente.

Fonte: AgroNoticia

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