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Cucaú testa colhedora para áreas de até 25° e amplia fronteira da mecanização no Nordeste

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
25 fevereiro, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Com cerca de 66% de sua área agrícola situada acima do limite tradicional de mecanização, a Usina Cucaú iniciou, em fevereiro de 2026, testes com duas colhedoras 4GD-1, da FM World Agriculture, importadas pela FC Trading. Desenvolvido para operar em áreas com declividade entre 20° e 25°, o modelo busca ampliar a mecanização em regiões historicamente dependentes do corte manual, como a Mata Sul de Pernambuco.

Segundo Renato Avellar, gerente de motomecanização da usina, as áreas com maior inclinação ainda são predominantemente colhidas de forma manual. A introdução da 4GD-1 representa uma alternativa tecnológica diante da necessidade de ampliar previsibilidade operacional e reduzir vulnerabilidades associadas à dependência de grandes equipes de cortadores.

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“Estamos em fase inicial de testes e adaptação dessa tecnologia para o corte de cana em áreas de alta declividade. Por esse motivo, os resultados obtidos até o momento ainda não permitem uma avaliação conclusiva quanto aos ganhos operacionais e à qualidade da matéria-prima”, afirma.

Os testes começaram no início de fevereiro e, até o momento, a declividade máxima operada foi de 15°, abaixo do limite projetado para o equipamento. Nessas condições, a produção média alcançada foi de 3,6 toneladas por hora, inferior à expectativa inicial de aproximadamente 6 toneladas por hora. Durante a operação, foram identificadas necessidades de ajustes técnicos, incluindo substituição dos motores de corte de base por unidades mais robustas, modificações no sistema de desponte e instalação de sensor de flutuação para garantir maior precisão no corte rente ao solo.

Veja a máquina em operação:

A ausência inicial do sensor de flutuação resultou na formação de tocos mais altos do que o ideal. O sistema já foi adquirido e será instalado para elevar o padrão de qualidade do corte e melhorar o aproveitamento da matéria-prima. A implantação da tecnologia será gradual, iniciando por áreas piloto, permitindo validação de processos, identificação de melhorias e mitigação de riscos financeiros.

Além do corte de base, o equipamento realiza o despontamento, o acúmulo da cana em cesto e a deposição no solo para posterior carregamento, buscando reduzir a impureza vegetal residual. No comparativo com colhedoras convencionais — que contam com extrator primário e/ou secundário e sensor de flutuação para melhor cópia do solo — o sistema tradicional ainda apresenta maior eficiência no processo de limpeza e maior precisão no corte de base nas condições avaliadas até agora.

Desempenho operacional e comparação com o corte manual

Em relação às perdas, Avellar observa que a mecanização permite estabelecer padrão operacional consistente quando os processos estão bem definidos, com ganhos em uniformidade e eficiência. Contudo, ele reconhece que o corte manual, quando bem supervisionado e executado por equipes treinadas, ainda proporciona maior qualidade no corte, especialmente quanto à altura adequada do toco, menor índice de perdas e melhor preservação da soqueira.

Nos testes realizados com a 4GD-1, não foram identificados danos à soqueira no momento do corte. A operação demonstrou estabilidade e precisão suficientes para preservar a integridade da socaria, contribuindo para manutenção do potencial produtivo nas safras subsequentes.

Quanto à entrega da cana inteira, Avellar explica que pode haver influência tanto no índice de impurezas quanto no rendimento industrial, dependendo das condições de colheita, carregamento e transporte. A cana inteira tende a apresentar maior presença de impurezas vegetais quando não há processo eficiente de limpeza no campo, embora possa reduzir a incorporação de impurezas minerais caso o corte seja realizado de forma adequada e com menor revolvimento do solo. No aspecto industrial, menor dano mecânico e menor extravasamento de caldo podem contribuir positivamente, enquanto volumes elevados de impurezas vegetais podem impactar a eficiência da moagem.

Até o momento, o equipamento não apresentou impacto relevante em compactação do solo nem aumento do risco de erosão. Com peso aproximado de 3.900 kg, opera com esteiras de borracha de alta aderência e baixa compactação, distribuindo melhor a carga sobre o terreno.

Do ponto de vista econômico, a mecanização em áreas de declividade já demonstra competitividade frente ao corte manual, segundo o gerente. Ele destaca ganhos em produtividade por operador, redução de custos com mão de obra e maior previsibilidade no cumprimento do calendário agrícola. Avellar observa que, embora a Cucaú não enfrente atualmente escassez de trabalhadores, outras usinas da região têm registrado dificuldades para completar seus quadros, comprometendo cronogramas e impactando produtividade.

“Precisamos acreditar e continuar insistindo. Na nossa avaliação, esse tipo de tecnologia tem o potencial de redefinir o conceito de área ‘mecanizável’ no setor sucroenergético”, afirma. Para ele, equipamentos capazes de operar em terrenos inclinados reduzem a dependência de grandes equipes de cortadores, diminuem a vulnerabilidade operacional associada a absenteísmo e rotatividade e ampliam a previsibilidade da safra.

A adoção da tecnologia também exige integração com o planejamento agrícola. Segundo Avellar, a mecanização em áreas inclinadas demanda preparo adequado do solo, remoção de pedras, ajustes no lote, plantio de variedades mais eretas e definição de espaçamentos apropriados entre linhas, reforçando que mecanização e planejamento varietal precisam caminhar de forma integrada.

Caso os testes confirmem os resultados esperados, a Cucaú pretende ampliar a frota do modelo. O investimento integra estratégia mais ampla do Grupo EQM, sob liderança do presidente Dr. Eduardo Queiroz Monteiro, voltada à modernização operacional e à busca de soluções tecnológicas que garantam segurança, produtividade e sustentabilidade nas áreas de maior complexidade topográfica.

Por: Natália Cherubin | Fonte: RPAnews

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