Greentech investirá R$ 15 milhões para erguer sua sexta fábrica de biochar, a primeira a usar resíduos da cana-de-açúcar

A NetZero, greentech franco-brasileira especializada na produção de biochar, está diversificando suas operações no Brasil. A empresa vai construir sua primeira fábrica de biochar a partir da palha e do bagaço de cana-de-açúcar, em Campina Verde (MG). O investimento será de R$ 15 milhões, todo com recursos próprios. A unidade deve começar a operar em fevereiro de 2026.
“Começamos com a cana em Minas Gerais porque achamos um parceiro motivado e porque a nossa sede no Brasil é em Minas Gerais. Mas temos mais conexões e já estamos olhando para os Estados de São Paulo e Goiás na cana-de-açúcar”, diz Olivier Reinaud, cofundador e diretor-geral da NetZero.
Fundada em 2021, a empresa tem quatro plantas que produzem biochar a partir da casca do café no Brasil e uma na África. Cada uma tem capacidade de fabricar 4 mil toneladas por ano. A unidade que processará palha e bagaço de cana terá a mesma capacidade.
A fábrica terá um novo sistema de produção, apresentado em março, chamado “Gen2”. A unidade será estruturada em contêineres, com menor área ocupada e menor uso de concreto e aço.
A NetZero avalia que a matéria-prima das usinas de cana tem um “potencial singular” para a fabricação de biochar. Estimativas próprias, com referência em publicações técnico-científicas, apontam que a cadeia produtiva da cana gera, por ano, cerca de 700 milhões de toneladas de resíduos no mundo, dos quais 40% estão no Brasil.
“No café, há uma sazonalidade. Na cana, há uma geração de bagaço e de palha praticamente o ano inteiro”, compara. “Na cana, vamos fazer projetos muito maiores”, acrescenta.
Nesta primeira fábrica, a palha de cana será fornecida pela Brunozzi Agropecuária, e o bagaço virá de outras usinas da região. Os próprios fornecedores serão os usuários do insumo. Esse modelo circular de negócios é o mesmo já utilizado na cafeicultura, em parceria com empresas com a Nespresso.
A companhia não divulga seus dados financeiros, mas afirma que metade de sua receita anual atualmente vem do formato de parcerias com fornecedores. A outra metade vem da geração e venda de créditos de carbono associados ao biochar. Esse tipo de carvão vegetal é considerado de alto potencial de retenção de gás carbônico no solo e tem alta capacidade de geração de créditos de carbono.
“Os créditos de carbono chegaram como uma maneira de colocar o biochar a um custo mais acessível para os produtores, além de possibilitarem um modelo de larga escala”, explica Reinaud.
O executivo ressalta que a estratégia da NetZero hoje segue concentrada na construção de novas plantas e inclui aumentar a capacidade nas já existentes.
“Quando pensamos em construir uma planta, avaliamos a quantidade de biomassa disponível, e o tamanho da planta acaba sendo menor. A ideia é começar pequeno e adicionar investimentos para aumentar a capacidade”, afirma.
Segundo Reinaud, a NetZero avalia diversificar para a obtenção de resíduos de outras culturas, além de café e cana, mas depende das condições de cada cadeia produtiva. “Nossa estratégia não é a de pegar todas as biomassas possíveis, mas de construir modelos adaptados. Isso leva tempo.”
Fonte: Globo Rural
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