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Nos últimos três anos, o agro (agropecuária e agroindústria), no Brasil, gerou 359,6 mil empregos formais, segundo estudo do FGVAgro

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
6 abril, 2023
em Mercado, Mundo Agro
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Mercado
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Entre 2019 e 2022, apesar de todas as turbulências vivenciadas (pandemia de covid-19, quebra de safra, guerra na Ucrânia) pela economia brasileira, o universo agro (aqui compreendido como agropecuária e agroindústria) registrou um desempenho positivo, e bem acima dos demais setores econômicos nacionais. Em números: nesse período, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), acumulou alta de 29,2%. A Agroindústria, por sua vez, não chegou a registrar crescimento, porém, manteve-se estável (0%), ao contrário da Indústria Geral, que contraiu 1,4%, de acordo com os dados do Índice de Produção Agroindústrial (PIMAgro), do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro). O desempenho da produção gerou reflexos positivos e expressivos no mercado de trabalho associado ao universo agro.

No Brasil, em 2019, o setor agro concentrava 13,62 milhões de pessoas ocupadas. Três anos depois, em 2022, o setor alcançou 13,96 milhões de postos de trabalho, ou seja, foram criadas 344,15 mil novas ocupações, uma expansão de 2,5%, superando o nível de pessoal ocupado antes da pandemia de covid-19. Os dados são do estudo do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGVAgro), com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC).

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De acordo com Felippe Serigati, coordenador do estudo e pesquisador do FGVAgro, a forte e estrutural expansão e desenvolvimento do universo agro brasileiro tem claros reflexos sobre o mercado de trabalho do setor. “Um dos aspectos é justamente a intensa incorporação de profissionais formais, com maior qualificação e que acessam remunerações mais elevadas. O presente estudo trata precisamente do acelerado.

Processo de formalização da população ocupada associada ao setor, e faz parte de novo um monitoramento trimestral e contínuo do FGVAgro a respeito do mercado de trabalho do universo agro. Esse monitoramento dialoga integralmente com as demais informações do IBGE (fonte original dos dados — PNAD Contínua), bem como com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), também do FGVAgro.”

O levantamento revela ainda que o setor registrou uma forte substituição de trabalhadores informais1 por profissionais formalizados, com maiores direitos trabalhistas, maior estabilidade e melhores remunerações. Assim, enquanto foram gerados 359,62 mil postos de trabalho formais2, foram destruídas 15,47 mil vagas informais.

A expansão acumulada de 2,5% da população ocupada no universo agro, entre 2019 e 2022, decorreu do crescimento dos ocupados nos dois principais segmentos do setor: 2,8% na Agropecuária e 2,1% na Agroindústria.

1 Em informais estão: empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada; trabalhador doméstico sem carteira de trabalho assinada; empregado no setor público sem carteira de trabalho assinada; e empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar.

2 Em formais estão: empregado no setor privado com carteira de trabalho assinada; trabalhador doméstico com carteira de trabalho assinada; empregado no setor público com carteira de trabalho assinada; militar e servidor estatutário; empregador com CNPJ; e conta própria com CNPJ.

Dentro da Agropecuária, o resultado foi puxado pelo crescimento da Agricultura (5,7%). Em contrapartida, a pecuária perdeu vagas, 72,72 mil (-2,4%), o que pode estar relacionado à maior implementação, na atividade, de tecnologias poupadoras de mão de obra.

Outro fato relevante é que a taxa de formalidade da Agricultura foi a maior registrada de toda a série histórica, que teve início em 2016, com 23,5%. Vale destacar que a maioria dos produtores rurais são classificados como informais, pois são categorizados como conta própria sem CNPJ, o que pode superestimar a informalidade do setor.

Nos últimos três anos, na Pecuária (2,4%), houve contração dos postos de trabalho, porém, por conta, exclusivamente, da forte redução dos informais (-3,9%). Entre os formais, assim como na agricultura, também ocorreu expansão (3,2%). Apesar da taxa de formalidade apresentar alta (de 21,4% para 22,6%), ela está abaixo do seu recorde (24,1%).

Agroindústria

Na agroindústria, foram gerados, entre 2019 e 2022, 109,94 mil postos de trabalho, passando de 5,17 milhões para 5,28 milhões de vagas (alta de 2,1%). No entanto, essa foi a geração líquida de postos de trabalho, uma vez que houve criação de 215,45 mil vagas formais (6,4%) e destruição de 105,51 mil de informais (-5,8%). Com isso, a agroindústria atingiu, em 2022, o maior contingente de pessoas ocupadas em vagas formais de toda a sua série histórica (iniciada em 2016). Além disso, verifica-se que a taxa de formalização da agroindústria aumentou desde o início da pandemia, passando de 65,1%, em 2019, para 67,8%, em 2022.

O aumento das vagas no mercado de trabalho da agroindústria foi derivado, tanto do segmento de produtos alimentícios e bebidas quanto de não-alimentícios, uma vez que registraram taxas de crescimento de, respectivamente, 1,6% e 2,4%.

Na agroindústria de produtos alimentícios e bebidas, entre 2019 e 2022, foram geradas 28,93 mil vagas. Para isso, foram eliminados 71,98 mil postos informais (-16,8%) e criadas 100,92 mil ocupações formais (7,3%) — alcançando o maior patamar de vagasformais da série histórica. Como consequência, a taxa de formalização do segmento aumentou significativamente, passando de 76,4%, em 2019, para 80,7%, em 2022.

A alta da população ocupada no segmento de produtos alimentícios e bebidas foi alcançada por uma congruência de fatores, uma vez que houve expansão nas vagas na produção de alimentos de origem animal (3,9%) (intensiva em mão de obra) e na de alimentos de origem vegetal (1,0%), porém, o setor de bebidas registrou contração (-12,3%).

Em todos os setores do segmento de produtos alimentícios e bebidas, o número de vagas informais diminuiu. Porém, no caso do setor de alimentos de origem animal e vegetal, além da queda dos informais, houve alta dos formais — isso fez com que a taxa de formalidade de ambos os setores aumentasse ao longo da pandemia (de 78,6% para 83,1%, no caso de alimentos de origem animal, e de 65,5% para 69,5%, no caso de alimentos de origem vegetal).

Na agroindústria de produtos não-alimentícios foram geradas 81,00 mil vagas (alta de 2,4%). Para isso, foram destruídos 33,52 mil postos informais (-2,4%) e criadas 114,53 mil ocupações formais (5,8%). Como resultado, a taxa de formalização da agroindústria de produtos não-alimentícios aumentou no período, passando de 58,9% para 60,8%.

Enfim, a forte expansão da produção registrada pelo universo agro entre 2019 e 2022, apesar de todas as turbulências observadas no período, gerou reflexos positivos e contundentes sobre o mercado de trabalho associado ao setor. Nesse estudo, o FGVAgro deu destaque para uma das faces dessa dinâmica: o intenso processo de formalização da força de trabalho, tanto nas atividades agropecuárias quanto na agroindústria.

Fonte: FGVAgro

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