Levantamento tem como base histórico de cem usinas, que representam cerca de 45% da moagem do Centro-Sul
O emprego de variedades mais novas de cana-de-açúcar pode incrementar o rendimento da lavoura e permite ganhos de 2 toneladas de açúcar por hectare. É o que mostra uma pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com base na sua plataforma de benchmarking, que tem mais de 175 usinas participantes e representa 80% da moagem da região Centro-Sul.
“Novas variedades apresentam ganhos significativos em produtividade, resultando em maior produção de toneladas de açúcar por hectare. Isso se deve ao aprimoramento contínuo no desenvolvimento genético, que aumenta o rendimento agrícola”, diz a gerente de melhoramento genético do CTC, Luciana Castellani.
Segundo os técnicos do CTC, um dos fatores que impulsiona o ganho é a redução do ciclo de recorrência de novos genitores, que representa um avanço significativo no contexto do melhoramento genético.
“Essa redução nos permite capturar maiores níveis de ganhos genéticos, de forma acelerada, atender rapidamente às demandas do mercado e desafios ambientais, assim como assegurar a constante introdução de genitores de melhores performances e adaptados a diferentes condições edafoclimáticas”, diz a gerente.
Segundo ela, variedades mais recentes são mais adaptadas para enfrentar desafios específicos, como mudanças climáticas, pragas e doenças. “Elas foram submetidas a processos de seleção mais modernos e alinhados com a demanda de mercado atual. Isso significa que, ao adotar essas variedades, os produtores têm uma maior chance de sucesso frente aos desafios”, relata Castellani.
Manejo
Mas, além de adotar novos cultivares, os produtores precisam alocar as variedades corretamente, respeitando tanto a época de colheita quanto o potencial produtivo do local em que elas serão cultivadas. “Isso vai garantir a maximização da produtividade dos canaviais”, diz o gerente de marketing do CTC, Ricardo Neme.
Com base nos dados do benchmarking varietal do CTC, o simples fato de manejar corretamente as variedades, seguindo as bulas sugeridas pelos programas de melhoramento genético, proporciona incremento de 14%, ou 1,2 toneladas de açúcar por hectare.
A biotecnologia também é grande aliada para o manejo varietal. Neme explica que “as variedades Bt, resistentes à broca-da-cana, protegem a produtividade principalmente em áreas de difícil manejo, mais suscetíveis à praga”.
A pesquisa do CTC mostra ainda que variedades desenvolvidas depois dos anos 2000 têm performance 20,6% superior frente a variedades desenvolvidas na década de 1980 quando se considera as toneladas de açúcar por hectare. A análise tem como base as safras de 2021/22 a 2023/24.
Considerando a mesma metodologia, os lançamentos mais recentes do CTC têm performances 36,6% superiores às desenvolvidas na década de 1980. A análise tem por base a safra 2023/24.
Conforme o CTC, esses números vão além da comparação pontual entre as safras quando são consideradas a adoção e a colaboração desse produto no fluxo de caixa do produtor ou da usina.
De acordo com cálculos do centro, no caso de uma variedade e seu primeiro ciclo de cinco anos na área de cultivo, a escolha de um cultivar mais moderno gera um lucro bruto adicional de R$ 3 milhões ou 37% a mais em comparação a uma variedade da década de 1980. O cálculo considera uma área de 5 hectares.
Fonte: CTC
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