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Pedido de recuperação extrajudicial da Raízen preocupa fornecedores de cana

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
13 março, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia Usinas
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Produtores de matéria-prima temem sofrer com eventuais impactos negativos do plano de reestruturação da empresa, que tenta renegociar dívida de R$ 65 bilhões

Os produtores que fornecem cana-de-açúcar para as usinas da Raízen estão preocupados com a situação da companhia, afirmou o presidente da Organização das Associações de Produtores de Cana (Orplana), José Guilherme Nogueira, à Globo Rural.

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A empresa, controlada por Cosan e Shell, protocolou, na noite de terça-feira, 10, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas que somam R$ 65 bilhões.

A Raízen, que produz energia renovável, açúcar e etanol e atua na distribuição de combustíveis, é a maior processadora de cana do país. Nesta safra, a empresa processou 70 milhões de toneladas de matéria-prima, o que corresponde a mais de 10% de todo o volume do Centro-Sul. Estima-se que fornecedores terceirizados, com ou sem contrato, respondam por metade desse volume – a empresa não confirma. Ao todo, a companhia tem 1,1 mil fornecedores de cana.

Segundo Nogueira, os fornecedores que vendem cana para a Raízen no mercado físico (spot) – ou seja, sem contrato de longo prazo – estão cautelosos e já avaliam se vão ou não vender para a Raízen na safra 2026/27, que começa oficialmente em abril. “Quem não tem contrato está pensando em seu relacionamento com a Raízen”, afirmou o dirigente à margem de evento em Ribeirão Preto (SP).

Apesar disso, a notícia de que a empresa apresentou um pedido de recuperação extrajudicial para conseguir tempo para negociar sua dívida bilionária com seus credores financeiros deu um alívio aos fornecedores. O sinal, de acordo com um produtor ouvido pela Globo Rural, é de que a empresa está buscando uma solução que deve preservar o relacionamento com os fornecedores de cana, elemento-chave para garantir matéria-prima e geração de caixa operacional.

A percepção, porém, é de que a Raízen não tem muito tempo para prolongar as negociações. Os produtores temem que, se as conversas com os credores financeiros não evoluírem, a empresa acabe sendo empurrada para uma recuperação judicial, o que colocaria todos os seus fornecedores de cana como credores com os quais a empresa teria que renegociar.

Nessa hipótese, os pagamentos atrasariam, já que os fornecedores teriam que se submeter à assembleia geral de credores e ao longo processo de negociação. “O produtor está cauteloso, com medo de entrar na lista [de credores]”, disse a fonte.

Um produtor de São Paulo afirmou que, nos últimos meses, cresceu a queda de braço com a Raízen nas renegociações de contratos de fornecimento de cana para a empresa. Segundo ele, há produtores que estão preferindo postergar a renovação para aguardar um cenário mais claro.

Nas regiões em que há usinas da Raízen próximas a outras unidades industriais de cana, os fornecedores que não têm contrato de fornecimento poderão preferir vender sua cana para as outras usinas. Já nos locais onde apenas a Raízen tem usina, a incerteza é maior.

A empresa não informa quais as parcelas da cana que compra de fornecedores nem no mercado físico. No entanto, fontes de mercado estimam que, até dois anos atrás, a empresa comprava mais de 10 milhões de toneladas de cana sem contrato, o equivalente a mais de 10% de sua moagem.

Pagamento a fornecedores

Nas últimas semanas, a Raízen tem mantido contato com associações de produtores. Nessas conversas, a companhia vem afirmando que seu caixa, de R$ 17 bilhões, garante o pagamento de toda a cana necessária para operar na próxima safra.

A empresa tem dito, além disso, que tem um plano de reduzir sua moagem de cana para um patamar mais próximo de 50 milhões de toneladas por safra e que pretende aumentar a parcela da cana que compra de fornecedores.

Também há sinais de apreensão entre as usinas de etanol que fornecem o biocombustível para o negócio de distribuição da Raízen. Uma das estratégias das usinas, apurou a Globo Rural, é pedir prazos mais curtos de pagamento pelo etanol que fornecerem. Até então, a Raízen pagava seus fornecedores de etanol em pelo menos dez dias, mas já há casos de pagamento em sete ou mesmo três dias, relatou um usineiro de São Paulo.

Em outra estratégia, há usinas preferindo reduzir as vendas à Raízen e buscando outras distribuidoras, segundo executivo de uma usina do Centro-Oeste.

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen ocorreu em um momento em que os preços do açúcar estão pressionados. Porém, desde que começou a guerra no Oriente Médio e a cotação do petróleo disparou, ganhou corpo no mercado a leitura de que o preço do etanol deverá subir na próxima temporada. Isso poderia fornecer um alívio para as usinas em geral e para a Raízen em particular.

Um analista do setor calcula que, se a Petrobras repassasse toda a alta do petróleo para o preço da gasolina, isso levaria a um acréscimo de R$ 0,60 no preço do litro do etanol. Na prática, só isso poderia adicionar R$ 5 bilhões ao faturamento da Raízen – se os preços não mudassem até o fim da safra.

A Shell já se comprometeu com um aporte de R$ 3,5 bilhões na Raízen, e o empresário Rubens Ometto assumiu o compromisso de aportar R$ 500 milhões por meio da Aguassanta, seu veículo de investimentos. Já a Cosan, que Ometto controla junto com o BTG, não fez proposta de injeção de capital.

Fonte: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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