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Pesquisador recebe prêmio por estudo sobre uso de resíduos da produção de açúcar e etanol

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
10 dezembro, 2024
em Biocombustíveis, Leia mais
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Thiago Edwiges – professor e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Câmpus Medianeira recebe Prêmio Jovem Inovador dos BRICS, na Rússia / Foto: Divulgação

O paranaense e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Thiago Edwiges, venceu o Prêmio Jovem Inovador dos Brics, durante o 9º Fórum de Jovens Cientistas, realizado entre os dias 25 e 29 de novembro, na cidade de Sóchi, na Rússia.

A condecoração foi feita pelo vice-presidente russo, Dimitri Medvedev, em reconhecimento ao valor da pesquisa, cujo tema é o “aproveitamento de resíduos da cadeia sucroalcooleira por meio de diversos métodos de tratamento biológico no contexto de uma economia circular”, método que propõe o uso total dos resíduos da indústria sucroenergética, resultando em energia limpa e renovável.

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Dados levantados durante a pesquisa da UTFPR, indicam que uma tonelada de cana moída gera 270 quilos de bagaço e mais de mil litros de vinhaça, resíduos da indústria sucroenergética e que se tornam um problema ambiental importante.

Considerando esse cenário, a pesquisa de Edwiges apresenta uma solução capaz de promover o aproveitamento total destes resíduos, tradicionalmente vistos como passivos ambientais, e os transforma em fontes valiosas de biocombustível e biofertilizante. A lógica da pesquisa foi desenvolvida por meio de um processo dividido em três etapas: pré-tratamento do bagaço junto com a vinhaça, fermentação escura e digestão anaeróbia.

Ciência a favor meio ambiente


Da produção do açúcar e do etanol, o que sobra são resíduos em estado líquido e sólido. A vinhaça, por ser ácida, pode estar relacionada à acidificação do solo, prejudicando a produtividade agrícola e a saúde do terreno. Já o bagaço tem pouquíssima umidade e difícil degradação.

A primeira etapa da pesquisa considera misturar o bagaço com a vinhaça, aproveitando as características ácidas da vinhaça, para ajudar na “quebra” do bagaço, contribuindo para o pré-tratamento destes resíduos.

Logo após, inicia-se a segunda etapa, que é chamada de fermentação escura, que vai resultar no biohidrogênio, ou gás renovável biológico. Deste processo, ocorre sobra carbono, que é colocado em um reator (equipamento que ajuda a ter controle dos parâmetros físicos e químicos), que promove o processo de digestão anaeróbia para produzir o metano.

Edwiges explica que ao reunir esses dois gases renováveis, o biohidrogênio e o biometano, obtém-se o biohitano, um gás que combina as características energéticas do hidrogênio e do metano, só que ainda mais potente, com alto rendimento energético e sustentável. O biohitano pode ser amplamente utilizado, até mesmo para substituir o gás natural veicular na frota que transporta cana-de-açúcar, fechando um ciclo de produção sustentável, emitindo menos gases de efeito estufa.

Desta forma, a produção do biohidrogênio, biometano e do biohitano, promovem a redução de impactos ambientais e a circularidade no uso de resíduos, sendo uma solução promissora para setores que buscam eficiência energética e descarbonização, reduzindo emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a transição energética nacional, uma vez que pode reduzir em até 95% as emissões de CO2.

Combustível do Futuro


O pesquisador destaca que com o avanço da legislação brasileira, especialmente sobre a Lei Combustível do Futuro, que demandará 1% de biometano na mistura de gás natural já em 2026, o projeto desponta como uma solução estratégica, viável e altamente escalável. “A pesquisa não apenas oferece uma alternativa sustentável para a produção de energia, mas também reforça a importância da circularidade no setor agroindustrial”, considera.

Solução global


Além do Brasil, outros países dos Brics, como a Índia, China, Irã, Egito, representam 56% de todo o açúcar produzido no mundo. Por isso, a inovação biotecnológica da pesquisa da UTFPR em parceria com a UFPR, por meio de um estágio de pós-doutorado de Edwiges não se limita ao contexto nacional: países como Índia e China, grandes produtores de açúcar, têm grande interesse.

Segundo o pesquisador, “o conceito central é transformar resíduos em recursos, reduzindo impactos ambientais enquanto se cria valor econômico e energético”. A iniciativa reflete a crescente demanda global por soluções que equilibrem progresso econômico e responsabilidade ambiental.

O Prêmio Jovem Inovador dos Brics, promovido anualmente, reconhece iniciativas disruptivas capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das economias dos países-membros. Em 2024, o evento foi marcado pelo alto nível de competitividade, com projetos de vanguarda em áreas como energia renovável, tecnologia verde e soluções para as mudanças climáticas.

A pesquisa de Edwiges se destacou entre dezenas de participantes, fator que reforça o papel do Paraná como um polo de inovação sustentável. No contexto nacional, este momento simboliza o potencial do Brasil como protagonista global em inovação sustentável.

Com 15 anos dedicados à pesquisa, Edwiges reafirma a importância do investimento em ciência, tecnologia e educação, e destaca como a criatividade e o talento brasileiros podem gerar soluções que beneficiam tanto o meio ambiente quanto a economia. “O prêmio é mais do que um reconhecimento; ele evidencia o potencial do Brasil em liderar iniciativas sustentáveis e coloca o Paraná no mapa da inovação global”, comemora.

“Este é o reconhecimento não apenas do meu trabalho, não é apenas importante para minha carreira, mas também para a UTFPR, UFPR e para o Brasil, incentivando a ciência e a inovação no país”, considera. A delegação brasileira foi composta por 19 representantes, dos quais 12 cientistas participaram do fórum, enquanto cinco jovens concorreram ao Prêmio Jovem Inovador.

Fonte: Biosfera Comunicação

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