A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para agosto aponta um cenário de risco elevado para culturas agrícolas e pastagens em regiões estratégicas do agronegócio brasileiro.
Apesar da expectativa de chuvas dentro ou ligeiramente acima da média em grande parte do território, o tempo seco no Centro-Oeste e em áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), combinado com temperaturas até 2°C acima da média histórica, tende a acentuar o estresse hídrico.
Segundo o Inmet, os maiores volumes de chuva devem se concentrar no litoral do Nordeste, no oeste da região Sul e em áreas pontuais do Norte, como o noroeste do Amazonas e do Pará. Em contrapartida, o centro do país terá precipitações escassas, padrão comum para esta época do ano, mas agravado neste ciclo por uma onda de calor persistente.
De acordo com o instituto, as temperaturas médias devem superar os 30°C em áreas do sudeste do Pará e de Mato Grosso, com destaque também para o centro-oeste de Mato Grosso do Sul e a região do Matopiba.
“Esse aumento térmico pressiona o consumo hídrico das culturas em desenvolvimento e reduz a oferta de forragem nas pastagens”, afirma o Inmet em nota técnica divulgada nesta segunda-feira.
Na região Norte, o impacto será sentido sobretudo nas pastagens e culturas permanentes do sudoeste do Pará, onde a reposição hídrica deve ser insuficiente para compensar as perdas por evapotranspiração. O mesmo vale para áreas menos irrigadas do Matopiba, onde o milho e o feijão de terceira safra entram em estágios críticos de desenvolvimento.
No Nordeste, as chuvas acima da média no litoral de Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraíba podem favorecer a finalização da safra de grãos, mas não compensam a tendência mais seca no interior da região.
Já no Centro-Oeste e Sudeste, o tempo firme deve beneficiar o fim da colheita de milho de segunda safra e do algodão, além das operações em canaviais e cafezais. No entanto, o calor e a baixa umidade do ar elevam o risco de perda de produtividade em lavouras que ainda estão em fase de floração e enchimento de grãos.
O Inmet também alerta para os efeitos do frio no Sul do Brasil. A entrada de massas de ar polar pode provocar geadas em áreas serranas, com potencial de danos em hortaliças e frutíferas. As baixas temperaturas devem atrasar a maturação do milho e, junto com as chuvas previstas acima da média no oeste do Rio Grande do Sul e Paraná, podem dificultar o ritmo da semeadura das culturas de inverno.
“Solos com baixa capacidade de infiltração e drenagem podem ter comprometido o estabelecimento inicial de trigo, aveia, cevada e canola”, diz o instituto. Apesar dos desafios, a umidade do solo tende a se manter adequada para o desenvolvimento das culturas de inverno na maior parte da região Sul, segundo a nota técnica.
Por: Gabriel Azevedo | Fonte: Agência Estado
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.











