Em comunicado, companhia afirma que “vem seguindo uma estratégia de reciclagem do seu portfólio”
No começo de dezembro, uma reportagem do Globo Rural revelou que a Raízen pretendia vender um pacote de cerca de R$ 1 bilhão em usinas de geração solar distribuída (UFVs). Alguns dias depois, a companhia anunciou a alienação de 31 projetos para a Brasol Sistema de Energia Solar – a negociação envolveu uma capacidade de até 128 megawatt-pico (MWp) e R$ 475 milhões.
“A Raízen receberá os valores referentes a estas operações à medida que os projetos forem desenvolvidos, construídos e transferidos da companhia para o comprador, o que deverá começar a acontecer a partir de janeiro de 2025, com previsão de conclusão até março de 2027”, explicou a Raízen, em comunicado.
No entanto, estes não eram os únicos ativos mencionados pela reportagem. Ainda de acordo com as fontes ouvidas pelo Globo Rural, a Raízen também pretende vender a usina Leme, localizada no município paulista de mesmo nome. A unidade foi adquirida pela sucroenergética em 2021, quando ocorreu a compra da Biosev.
Em comunicado ao mercado enviado em resposta à reportagem, a Raízen afirmou que “vem seguindo uma estratégia de reciclagem do seu portfólio, com vistas a otimizar sua estrutura de ativos e reduzir o endividamento”. Ainda de acordo com o texto, a empresa “está constantemente avaliando oportunidades de negócios e de alienação de ativos não estratégicos”.
Por definição, “ativos não estratégicos” são aqueles que não estão diretamente vinculados ao negócio principal de uma empresa. No caso da Raízen, isso seria a produção de açúcar e etanol e a distribuição de combustíveis.
Questionada pelo NovaCana, a Raízen afirmou que não irá comentar a possibilidade de venda da usina Leme ou de outras unidades, assim como a revisão de portfólio da companhia.
“Fit” estratégico e E2G
Não é de hoje que a possibilidade de venda de usinas ronda a Raízen. Na divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre da safra 2024/25, em novembro, o então CEO da companhia, Ricardo Mussa, comentou a venda de até 900 mil toneladas de cana para a Alta Mogiana, realizada por cerca R$ 381 milhões.
O movimento foi acompanhado pela paralisação da usina MB, em Morro Agudo (SP), levando a questionamentos de investidores. “Fizemos uma venda de cana, mas também estamos revertendo parte da cana para outras usinas. É uma hibernação que vai trazer um benefício de redução de custo em duas das nossas unidades, a Santa Elisa e a Vale do Rosário”, disse Mussa.
De acordo com ele, a venda de ativos é uma “super prioridade” dentro da Raízen, de modo que o mercado poderia “esperar, sim, outras novidades”. Ele ainda complementou: “Olhamos com muito carinho para todos os ativos da companhia. Tem aqueles que não têm tanto ‘fit estratégico’ e podem ter algum interessado com um valor acima do que nós achamos que esse ativo vale para nós. Estamos, sim, focados em fazer os desinvestimentos”.
Em relação às usinas, Mussa afirmou em novembro que foram identificadas algumas “tail mills”, o que ele define como unidades “que não fazem tanto sentido” para o portfólio da Raízen. Segundo o executivo, as usinas em questão seriam menores e não envolveriam planos de investimentos em etanol de segunda geração (E2G). “Temos uma discussão muito ativa nisso agora. (…) Tem outras unidades que fazem sentido hoje”, revelou.
Atualmente, a Raízen possui 35 usinas. Destas, duas já possuem plantas de E2G em operação – Costa Pinto, em Piracicaba (SP), e Bonfim, em Guariba (SP). Além disso, já foram anunciados investimentos em outras sete unidades: Univalem, em Valparaíso (SP); Barra, em Barra Bonita (SP); Vale do Rosário, em Morro Agudo (SP); Gasa, em Andradina (SP); Jataí, em Jataí (GO); Tarumã, em Tarumã (SP); e Caarapó, em Caarapó (MS).
Por: Renata Bossle | Fonte: NovaCana
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