Entidade que representa as usinas emitiu nota sobre o tema, afirmando que detalhamento técnico contratado já foi concluído
Em nota pública divulgada nesta quarta-feira, 30, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) voltou a tratar sobre a atualização do modelo Consecana-SP, utilizado para remunerar os produtores de cana-de-açúcar. O texto ataca diretamente a postura adotada pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) em relação ao tema.
“Com o início da safra 2025/26 nesse mês de abril, a Unica aguarda o aceite, pela Orplana, dos resultados do estudo técnico realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o restabelecimento da governança do Consecana-SP para seguir com a implementação imediata da revisão do modelo”, afirma a entidade que representa as usinas.
Na nota, a Unica afirma que o estudo de revisão contratado foi concluído e teve entrega reconhecida pelas partes. “Dessa forma, a Unica reitera a disposição de realizar a imediata implementação dos resultados apresentados, assim que estes sejam reconhecidos como válidos, nos termos contratuais, pela Orplana”, declara.
Ainda segundo o texto, as expectativas da entidade foram “contrariadas” a partir do momento em que “não houve o restabelecimento da adequada governança do Consecana-SP”, o que envolveu “circulares publicadas unilateralmente”.
O NovaCana entrou em contato com a Orplana, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Esta não é a primeira vez que a conclusão dos estudos da FGV gera um embate público entre as entidades. No começo de abril, uma reportagem do Globo Rural tratou dos impasses para a atualização dos cálculos utilizados para a precificação da cana-de-açúcar.
Após a publicação, a Orplana divulgou um comunicado onde mencionou o estudo técnico da FGV, encomendado com o objetivo de subsidiar a revisão do modelo. “Diversas reuniões foram realizadas, inclusive onde as duas entidades solicitaram esclarecimentos”, disse, referindo-se à própria Orplana e à Unica.
“A Orplana destacou a necessidade de aprofundamentos técnicos em diversos pontos, especialmente relacionados ao Capex industrial. Tais observações e necessidades de detalhamentos foram registrados em ata”, relatou, em 10 de abril.
Além disso, a entidade que representa os produtores afirmou que, até o dia 9 de abril de 2025, os estudos ainda não haviam sido entregues em sua totalidade.
“Algumas etapas seguem pendentes e, portanto, não há validação final do conteúdo. A afirmação de que a Orplana estaria dificultando o avanço das negociações é infundada. Ao contrário, a entidade permanece empenhada em garantir que a revisão seja conduzida com o rigor técnico necessário, transparência e equilíbrio entre os elos da cadeia produtiva”, complementou.
A entidade ainda ressaltou que os estudos da FGV devem servir como base para análise da diretoria do Consecana-SP. Assim, eles devem ser posteriormente avaliados por um grupo técnico composto por membros da Orplana e da Unica, que poderá validar ou sugerir ajustes.
“A Orplana reafirma seu total interesse na conclusão célere dos estudos, por entender que esse processo é estratégico para o setor, trazendo maior previsibilidade e segurança a todos os envolvidos”, afirmou o comunicado, que seguiu: “Ao mesmo tempo, reforça que não compactua com meias-informações ou versões unilaterais do andamento dos trabalhos, inclusive aquelas divulgadas por meio da imprensa”.
Atualmente, a Orplana representa 35 associações e mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar em todo o país. Por conta disso, a entidade integra o Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), onde atua ao lado da Unica.
Por: Renata Bossle | Fonte: NovaCana
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