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Produção de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030

Maria Reis por Maria Reis
23 abril, 2026
em Mundo Agro
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Mundo Agro
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Coproduto do etanol de milho, usado principalmente na alimentação animal devido seu valor nutricional, deve ter expansão rápida nos próximos anos

O milho, principal grão exportado para o Irã, acumulou queda de 99,96% nas exportações. | Foto: Divulgação

O avanço da produção de etanol de milho no Brasil abre uma nova fronteira para o agronegócio: a expansão dos mercados de grãos secos de destilaria (DDG, na sigla em inglês) e grãos secos de destilaria com solúveis de fermentação (DDGS), subprodutos sólidos da produção de etanol, ricos em proteínas, fibras e minerais usados na nutrição animal.

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Especialistas reunidos na em evento da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) defenderam que o crescimento acelerado da produção desses insumos vai caminhar lado a lado com a intensificação da pecuária brasileira, especialmente com o avanço de sistemas como confinamento, semiconfinamento e a terminação intensiva a pasto (TIP).

Segundo João Otávio de Assis Figueiredo, líder da área de pecuária da Datagro, o Brasil vive um momento de transformação estrutural no setor. “A integração entre a pecuária e o etanol de milho é uma das principais molas propulsoras da intensificação produtiva”, afirmou.

Hoje, cerca de 35% da produção brasileira de carne bovina é destinada à exportação, o que exige animais mais jovens e maior eficiência produtiva. Nesse contexto, a nutrição ganha protagonismo e o DDG surge como insumo competitivo.

Além disso, o crescimento da demanda internacional, especialmente da China, tem alterado a dinâmica de preços e incentivado investimentos na produção. O país asiático saltou de importador marginal de carne bovina brasileira em 2015 para principal destino, com volumes superiores a 1,6 milhão de toneladas.

“Das 65 plantas habilitadas no Brasil para exportação à China, 15 estão no estado do Mato Grosso, principal produtor de milho do país”, diz Figueiredo.

Oferta crescente

A oferta de DDG deve crescer significativamente nos próximos anos, uma vez que, se mantido o ritmo atual, o Brasil vai somar mais de 60 biorrefinarias de milho em operação até o fim da década, com produção estimada em 15 milhões de toneladas do coproduto.

Do lado da demanda, projeções apontam para um consumo interno crescente, podendo superar 10 milhões de toneladas até 2030, puxado principalmente pela bovinocultura, suinocultura e pecuária leiteira.

Em 2025, o Brasil abateu 46,9 milhões de cabeças de gado. Deste total, Figueiredo calcula que 10 milhões de cabeças sejam de animais confinados, importantes consumidores de DDG e DDGS. Outros consumidores importantes são os suínos, cujo abate se situa em cerca de 70 milhões de cabeças por ano e o gado leiteiro, que produz 28 bilhões de litros de leite por ano.

Ainda assim, o equilíbrio entre oferta e demanda exigirá diversificação de mercados. “Não dá para depender apenas do boi confinado para absorver todo o volume. Precisamos ampliar o uso em sistemas a pasto e explorar outros segmentos”, destacou o gerente global da Cargill Animal Nutrition, Pedro Veiga.

Vantagem competitiva

Um dos diferenciais brasileiros está no modelo de produção tropical. Ao contrário dos Estados Unidos, onde a maior parte do rebanho é confinada, o Brasil combina pastagem com suplementação – ambiente ideal para o uso de DDG.

Isso ocorre porque o coproduto não contém amido, o que favorece a digestão da fibra no rúmen e melhora o aproveitamento do pasto. “O DDG se encaixa perfeitamente na nutrição baseada em pasto tropical, permitindo ganhos de produtividade com menor custo”, explicou Veiga.

Esse cenário impulsiona sistemas como semi-confinamento e TIP, que já representam parcela crescente da produção nacional. Atualmente, mais de 50% dos pecuaristas utilizam algum nível de suplementação alimentar.

Exportação e novos mercados

O Brasil tem avançado também nas vendas externas dos coprodutos. “A Unem, em parceria com a ApexBrasil, desenvolve um programa para promover o DDG brasileiro no exterior, com foco em mercados da Ásia e do Oriente Médio”, disse a diretora de relações internacionais e comunicação da Unem, Andréa Veríssimo.

A iniciativa busca posicionar o produto brasileiro como alternativa competitiva frente aos Estados Unidos, destacando atributos como qualidade, sustentabilidade e menor incidência de contaminantes.

Entre os mercados potenciais, a demanda asiática, especialmente da China e do Sudeste Asiático, é vista como decisiva para absorver o excedente futuro.

A Inpasa, por exemplo, enviou recentemente 62 mil toneladas de DDG para a China e cerca de 45 mil toneladas para a Turquia. Desde 2023, a empresa já destinou um total de 600 mil toneladas ao mercado turco.

De acordo com especialistas, o crescimento do DDG no Brasil depende de coordenação entre cadeias. “A integração entre usinas de etanol, pecuaristas e mercado internacional será determinante para garantir competitividade e escoamento da produção”, diz Veiga.

Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil

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