Para incorporar o milho, unidades canavieiras precisam avaliar vapor, destilação, coprodutos e aproveitamento da infraestrutura existente

A produção brasileira de etanol de milho deve crescer 17% na safra 2026/27 e alcançar 11,91 bilhões de litros, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço reforça a discussão sobre a conversão de usinas de cana em plantas flex, capazes de incorporar também o processamento de milho. No longo prazo, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima R$ 17,8 bilhões em investimentos em novas plantas de etanol de milho entre 2026 e 2035, com acréscimo aproximado de 6,7 bilhões de litros à capacidade produtiva. Nas premissas do órgão, o investimento específico é estimado em R$ 1,54 por litro para plantas flex, ante R$ 2,66 por litro em unidades full, dedicadas exclusivamente ao milho.
É justamente nesse processo de transformação que atua a LucasE3, especializada em engenharia aplicada a projetos de etanol de milho e integração de plantas industriais. Segundo o coordenador de Marketing e engenheiro de Vendas da LucasE3, Henrique Pacheco, transformar uma usina de cana em flex exige analisar a nova rota como parte de um sistema integrado, considerando desde o recebimento e a moagem dos grãos até cozimento, evaporação, destilação, separação do óleo de milho e produção de coprodutos, além da compatibilização com equipamentos, utilidades e capacidades já existentes na unidade.
Um dos pontos centrais está no balanço energético. Dependendo da configuração da usina e da disponibilidade existente, o vapor gerado a partir do bagaço da cana pode contribuir para abastecer parte da operação de milho. Essa integração pode reduzir a necessidade de criar uma estrutura energética totalmente independente, mas exige avaliação da capacidade das caldeiras, cogeração, consumo industrial e demanda térmica do novo processo. Por isso, uma conversão flex precisa ser dimensionada a partir das características específicas de cada planta.
Eficiência no processo
Entre as soluções desenvolvidas pela LucasE3 está o High Efficiency, voltado à redução da demanda energética no processamento do milho. A configuração trabalha com consumo na faixa de 0,85 a 0,95 tonelada de vapor por tonelada de milho processado, indicador que ganha relevância porque o vapor representa uma parcela importante da operação industrial. Em sua configuração standard, a tecnologia também trabalha com referências de 430 litros de etanol por tonelada de milho, cerca de 15 a 18 quilos de óleo de milho e aproximadamente 300 quilos de DDGS por tonelada processada. DDGS é a sigla em inglês para grãos secos de destilaria com solúveis, coproduto amplamente utilizado na alimentação animal.
A entrega, entretanto, vai além da definição de equipamentos. A LucasE3 atua na engenharia de processo e detalhada, desenvolvendo Diagramas de Fluxo de Processo (PFDs), Diagramas de Tubulação e Instrumentação (P&IDs), balanços, desenhos e especificações técnicas que orientam a implantação industrial. Com essa base, os equipamentos podem ser fornecidos por fabricantes definidos conforme as necessidades do projeto ou pela relação de empresas homologadas pela própria usina, permitindo adequar a solução à estrutura de cada cliente.
A companhia também atua em diferentes estágios dos empreendimentos. Além das plantas flex de cana e milho, o portfólio inclui projetos greenfield, desenvolvidos desde a concepção de uma nova unidade, trabalhos brownfield, voltados à expansão e modernização de fábricas existentes, estudos de viabilidade e otimização de plantas em operação. Nessas unidades, a engenharia pode atuar sobre gargalos específicos em áreas como evaporação, destilação e consumo energético. De origem norte-americana e com escritório em Curitiba, a LucasE3 soma participação em mais de 50 projetos nos Estados Unidos e, no Brasil, já esteve envolvida em empreendimentos da ALD Bioenergia, em Nova Marilândia (MT), e da Evermat, em Sinop (MT).

Para as usinas de cana, portanto, incorporar o milho significa mais do que acrescentar uma segunda matéria-prima ao processo. A decisão envolve disponibilidade de grãos, geração de vapor, capacidade dos ativos existentes, produção de etanol, valorização de óleo e DDGS, logística e despesas operacionais (OPEX). Com o avanço da produção brasileira de etanol de milho, a planta flex ganha espaço como alternativa de diversificação industrial, mas seu potencial econômico depende justamente da capacidade de integrar as duas rotas com eficiência, estabilidade e aproveitamento estratégico da estrutura já instalada.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro














