Com fábricas instaladas dentro das usinas e investimento próprio, companhia transforma resíduos da produção de açúcar e etanol em fertilizantes e busca ampliar a produtividade e a sustentabilidade de toda a cadeia

Transformar resíduos da indústria sucroenergética em fertilizantes e integrar essa produção à operação das usinas é a base do modelo de negócios da Agrion. Em entrevista ao Portal Visão Agro, o CEO da companhia, Ernani Judice, explicou como a instalação de fábricas dentro das unidades pode reduzir custos com adubação, aumentar a produtividade agrícola e contribuir para a rentabilidade de usinas e produtores, ao incorporar a economia circular à cadeia de açúcar e etanol.
Parceria com as usinas
O modelo prevê investimento da Agrion na implantação das fábricas e participação das usinas no empreendimento. Com isso, as unidades podem incorporar a produção de fertilizantes à sua operação sem assumir diretamente o investimento na construção da fábrica, preservando recursos para outras prioridades do negócio.
A proposta combina o aproveitamento dos resíduos gerados pela própria indústria com a produção de insumos para o campo. Para as usinas, essa integração representa uma oportunidade de agregar valor a materiais da operação, reduzir custos agrícolas e participar de uma nova atividade econômica. Para os produtores, o foco está no acesso a fertilizantes que contribuam para a eficiência da adubação e para o melhor resultado por área cultivada.
Economia circular aplicada à produção
Nesse sistema, os resíduos da produção de açúcar e etanol são utilizados como matéria-prima para fertilizantes organominerais, que combinam componentes orgânicos e minerais. Os nutrientes retornam ao campo e passam a integrar um novo ciclo produtivo, conectando a atividade industrial à nutrição das lavouras.
Segundo Ernani, a matéria orgânica protege os nutrientes e permite sua liberação gradual, reduzindo perdas e favorecendo o aproveitamento pelas plantas. O uso dos resíduos na fabricação dos fertilizantes também contribui para sua valorização e para uma gestão mais eficiente dos recursos da cadeia sucroenergética.
Eficiência no campo e rentabilidade para a cadeia
A redução dos custos de adubação e o aumento da produtividade são objetivos centrais da solução. Ao melhorar o aproveitamento dos nutrientes, a tecnologia busca tornar o investimento em fertilizantes mais eficiente e contribuir para as margens de usinas e produtores. O benefício econômico está associado tanto ao custo de produção quanto à resposta das lavouras ao manejo nutricional.
Na entrevista, o CEO citou um estudo que aponta potencial de reduzir em até 50% o consumo de fertilizantes minerais, mantendo a produtividade agrícola. Esse resultado ilustra uma das possibilidades da tecnologia, enquanto o modelo de negócios amplia a proposta ao integrar produção de fertilizantes, aproveitamento de resíduos e participação das usinas no empreendimento.
A sustentabilidade acompanha essa lógica econômica: o reaproveitamento de materiais e a busca pela redução das perdas de nutrientes ajudam a tornar o uso dos recursos mais eficiente. Dessa forma, a economia circular pode contribuir para a competitividade da cadeia como um todo, aproximando os interesses da indústria e do produtor rural.
Ernani afirmou ainda que a Agrion está avançando para sua quarta fábrica e pretende alcançar dez unidades nos próximos anos. A expansão segue o modelo de parceria com as usinas, com a proposta de ampliar a produção de fertilizantes integrada ao setor sucroenergético.
Fonte: Portal Visão Agro
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