Fundo liderado por ex-diretor da Agrogalaxy assume controle do grupo

Um fundo organizado pela AM Agro é a nova controladora do Grupo Safras, que atravessa uma grave crise financeira. A informação foi confirmada ao Globo Rural por Marco Teixeira, ex-diretor financeiro da Agrogalaxy e ex-presidente da Superbac, que lidera o fundo de special situations responsável pela operação.
Com uma dívida de R$ 2,2 bilhões e sob pressão de mais de 900 credores — entre bancos, fundos e produtores rurais — os novos controladores buscam agora renegociar esses débitos.
A aquisição do controle do Safras não ocorreu por meio de uma negociação direta com as famílias fundadoras — Moraes e Rossato, agora sócias minoritárias.
Segundo o Globo Rural, a AM Agro negociou com um terceiro que detinha uma opção de compra sobre o controle do grupo.
A compra foi feita por meio de um fundo de special situations, um instrumento de opção para ser majoritário no grupo e assim foi exercida essa opção,, segundo Teixeira à reportagem.
O executivo confirmou que há tratativas com novos investidores para levantar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, a fim de recuperar a capacidade operacional do grupo, após a mudança na administração promovida pelo novo controlador.
“O potencial do Safras é fantástico, com localização estratégica. A empresa já teve volume relevante, mas passou o ano praticamente parada”, disse ao Globo Rural.
O Grupo Safras tenta há meses obter autorização da Justiça de Mato Grosso para entrar em recuperação judicial — o que já foi negado três vezes por falta de documentação obrigatória.
Sem a proteção judicial, o grupo passou a ter contas bloqueadas — estimadas em cerca de R$ 7 milhões — e enfrenta dificuldade para manter a operação diante da retomada de ativos estratégicos.
Ministério Público se opõe a afastamento de juiz
O último revés do Grupo Safras aconteceu na semana passada. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) se manifestou contra a tentativa da empresa de afastar o juiz Márcio Aparecido Guedes da condução do processo.
O procurador de Justiça José Zuqueti classificou o pedido como “sem respaldo jurídico” e desprovido de provas concretas.
A defesa do Safras alegava que o magistrado teria demonstrado parcialidade por já ter se declarado suspeito em outros três casos relacionados ao grupo. No entanto, o MPE rejeitou a tese com base no artigo 145 do Código de Processo Civil, segundo o qual a suspeição de juízes deve ser baseada em provas objetivas — e não em suposições.1
Segundo fontes ouvidas pelo Folha do Estado, a estratégia do Safras seria uma tentativa de desestabilizar a tramitação judicial num momento em que o grupo é investigado por supostas fraudes e manipulação de ativos.
A Justiça já havia suspendido a recuperação judicial anteriormente deferida, após surgirem indícios de movimentações irregulares entre empresas do grupo e ocultação de patrimônio.
Relatórios de credores apontam que parte da crise pode ter sido fabricada com o objetivo de obter vantagens indevidas por meio da Justiça.
Fonte: Agrofy News
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