O anúncio do encerramento das operações da Usina Santa Elisa, feito pela Raízen na última semana, agitou o setor sucroenergético e provocou reações imediatas de entidades, lideranças e trabalhadores. Localizada em Sertãozinho (SP), a unidade terá suas atividades suspensas por tempo indeterminado, como parte da estratégia da companhia para reestruturação e otimização do portfólio de ativos.
Segundo comunicado oficial, a Raízen informa que os equipamentos e estruturas da unidade continuarão sendo aproveitados em outras frentes do grupo, dentro do planejamento estratégico. Ainda assim, os efeitos locais da decisão extrapolam os muros da usina: colaboradores diretos serão impactados, além de prestadores de serviço e fornecedores regionais que orbitam em torno da operação.
A decisão também reverberou entre nomes de referência no setor bioenergético. Um deles é Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, que falou ao Portal Visão Agro sobre o peso simbólico e técnico da Santa Elisa para o desenvolvimento da indústria nacional.

“A Santa Elisa é uma usina emblemática. Ela foi berço de inovações tecnológicas que moldaram o setor, como o uso racional da vinhaça, a excelência na produção de etanol e a introdução de processos avançados de automação. Mais do que uma unidade produtiva, foi uma verdadeira escola técnica, responsável por formar profissionais que hoje atuam em todo o Brasil e até fora dele”, destacou.
Ele reforçou ainda que, embora o momento seja delicado, há esperança de que a unidade possa ser reativada no futuro com novo perfil estratégico. “Esse tipo de suspensão não apaga a relevância de tudo que a Santa Elisa construiu. Ela tem potencial para voltar, talvez com outro foco, mas sempre com protagonismo.”
Mercado penalizado
O professor e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também comentou a decisão. Em entrevista ao Portal Visão Agro, ele relembrou sua ligação pessoal com a usina e lamentou profundamente a paralisação. “O mercado está penalizado. Eu conheço a Santa Elisa há 75 anos. Tinha uma grande ligação com o pai, que montou a usina com muita dificuldade. Foi uma usina que lutou com problemas a vida inteira e sempre venceu. Chegou num momento que não deu mais. É uma pena muito grande. Estou realmente muito triste com todo esse processo.”

O CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) demonstrou forte preocupação com os efeitos da medida. A presidente da entidade, Rosana Amadeu, afirmou que o setor acompanha os desdobramentos com atenção. “A suspensão por tempo indeterminado de uma unidade com forte representatividade histórica e operacional levanta preocupações quanto à manutenção da capacidade instalada, à preservação de empregos e ao fomento contínuo à inovação e sustentabilidade da indústria”, declarou.
Ela também destacou o risco de ruptura em contratos já firmados e o potencial efeito dominó sobre empresas de manutenção e fornecimento, que atuam fortemente no polo industrial de Sertãozinho. Para Rosana, o episódio acende um sinal de alerta sobre o futuro da cadeia e o equilíbrio regional do setor.
Trabalhadores da unidade
Além dos impactos econômicos e institucionais, a decisão também causou apreensão entre os trabalhadores e fornecedores locais. Um funcionário de empresa terceirizada que prestava serviços na Santa Elisa relatou ao Portal Visão Agro o sentimento de insegurança generalizado na região.
“A visão nossa é bem ruim. Pra nós, é ruim pra todo mundo, tanto fornecedores quanto prestadores de serviço. Fechando mais uma, o monopólio vai ficando na mão de poucas usinas, e isso pressiona o preço, a mão de obra, tudo. Pra quem trabalhava só lá, a situação ficou complicada. E pra cidade também, né? A Santa Elisa era uma das maiores. Isso esvazia o setor e concentra o poder demais.”
Enquanto isso, o setor observa com atenção os próximos movimentos da Raízen e os reflexos em Sertãozinho e região. Seguimos acompanhando os desdobramentos e permanecendo atentos aos próximos capítulos dessa história, que ainda não teve seu ponto final.
Fonte: Maria Reis – Visão Agro
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