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Inpasa e FS embarcam as primeiras cargas de DDGS do Brasil para a China

Maria Reis por Maria Reis
4 fevereiro, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Mercado chinês foi aberto em maio do ano passado, mas até então não havia negócios concretizados

Produto é resultante do processamento do milho — Foto: FS/Divulgação

O Brasil vai exportar nos próximos dias as duas primeiras cargas de DDG (sigla para Dried Distilled Grain, ou grãos secos de destilaria), resultante do processamento do milho, para a China, no total de 65 mil toneladas. O mercado chinês foi formalmente aberto em maio do ano passado, mas até então não havia negócios concretizados.

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Uma carga de 62,5 mil toneladas de DDGS (DDG com solúveis) será embarcada pela Inpasa pelo porto de Imbituba (SC). A operação de carregamento deverá começar no próximo domingo, 8. A empresa não informou o valor da venda.

O segundo carregamento será de 3 mil toneladas de DDG de alta proteína (HPDDG) e será feito pela FS pelo porto de Santos (SP), com previsão de início das operações também nos próximos dias. A companhia também não informou o valor do negócio.

Os carregamentos para a China são os primeiros em um ano em que o país logo deve ganhar protagonismo nas exportações brasileiras de DDG. A Inpasa já tem contratos para embarcar mais 250 mil toneladas de seu DDGS para o país asiático.

À Globo Rural, o diretor de trading internacional da Inpasa, Renato Zicardi, disse que a China poderá representar neste ano 50% de suas exportações de DDGS, que devem se aproximar de 1,5 milhão de toneladas.

Caso este volume se confirme, deve representar cerca de 40% da produção de DDGS esperada pela empresa para este ano, em torno de 3,3 milhões de toneladas.

Em 2025, a Inpasa exportou pouco mais de 800 mil toneladas de DDGS, para países como Espanha, Turquia, Vietnã, Indonésia e Arábia Saudita. Para este ano, a expectativa da empresa é começar a exportar não só para China, mas também para novos mercados novos, segundo Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa. “É um mercado muito promissor”, assegurou.

Segundo Zicardi, além dos novos mercados, a Inpasa também deve voltar a vender DDGS para os clientes com quem já fez negócio antes. Isso se deve ao perfil do produto, que é melhor digerido pelos animais por ser solúvel – diferentemente do DDG produzido nos Estados Unidos, que em geral não é solúvel.

“Quando o produtor percebe a qualidade do nosso produto, [o DDGS] começa a ter relevância na composição das rações”, disse.

No Brasil, a Inpasa vende seu DDGS para clientes da pecuária de corte, como confinamentos, da pecuária leiteira, e para criações de suínos.

A FS também espera um salto em suas exportações de DDGS neste ano-safra 2025/26. Sua projeção é de que o volume a ser embarcado nesta temporada cresça 180% em relação à safra 2024/25, com destaque para Indonésia e Vietnã. A empresa exporta para destinos na Ásia, América Latina e Europa. Segundo a companhia, seu DDG tem alta densidade proteica e maior valor agregado.

A entrada da China como um player comprador de DDG é vista no mercado como um “alívio” para o balanço entre oferta e demanda no país, já que a forte expansão dos investimentos em etanol de milho provocou um crescimento expressivo na oferta interna do coproduto.

Durante o ano passado, os preços do DDG ficaram relativamente estáveis, segundo dados da Scot Consultoria compilados pelo adido agrícola americano Thiemi Hayashi.

Em relatório de janeiro, o adido afirmou que, se se confirmar a expansão das exportações de DDG para a China neste ano, “há potencial para preços de DDG mais sustentados e possivelmente condições compradoras menos favoráveis para produtores da pecuária comparado a 2025”.

A entrada do DDG do Brasil no mercado chinês fará frente aos Estados Unidos, que hoje são praticamente os únicos fornecedores do produto para a China.

O Brasil começou a exportar DDG em 2022 e, em 2025, o volume embarcado chegou a 880 mil toneladas. Na safra 2024/25, a produção total de DDG no país foi de 4,2 milhões de toneladas – ainda não há dados sobre a safra atual, que termina em março.

Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural

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