
A Chevrolet colocou no mercado brasileiro o Onix Eco e o Onix Plus Eco 2027, versões desenvolvidas para operar exclusivamente com etanol. O lançamento acontece em um momento de ampliação do espaço do biocombustível na matriz de transportes brasileira, tanto diretamente nos veículos quanto por meio de sua maior participação na gasolina.
Diferentemente dos modelos flex, capazes de trabalhar com gasolina ou etanol, o Onix Eco possui calibração específica para o combustível renovável. A Chevrolet utilizou o motor 1.0 turbo com ajustes de software, ignição e gerenciamento da combustão voltados à operação dedicada com etanol, sem necessidade de alterações de hardware.
Segundo a montadora, a configuração pode reduzir em aproximadamente 70% as emissões de carbono no critério “poço à roda” em comparação com um modelo semelhante abastecido com gasolina. A proposta também marca o retorno de uma motorização dedicada ao etanol após cerca de duas décadas de predominância dos veículos flex no mercado nacional.
O movimento ocorre paralelamente à adoção do E32 no Brasil. Desde 1º de agosto, a gasolina comercializada no país passou a receber 32% de etanol anidro, ante os 30% anteriores. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período.
Menor importação de gasolina
São aplicações diferentes do mesmo biocombustível. Enquanto o Onix Eco utiliza diretamente o etanol como combustível, o E32 determina a presença de 32% de etanol anidro na gasolina. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da mistura poderá reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano a necessidade brasileira de importação de gasolina.
A discussão pode avançar ainda mais. Estudos técnicos já estão em andamento para avaliar o E35, mistura com 35% de etanol na gasolina, incluindo testes relacionados à durabilidade de componentes e aos efeitos do combustível no longo prazo. O avanço ocorre enquanto o setor busca novas fontes de demanda diante do crescimento da produção de etanol de cana e, principalmente, da rápida expansão do etanol de milho.
Nesse cenário, o Onix 100% etanol representa mais do que o lançamento de uma nova versão. Ao mesmo tempo em que o país eleva a participação do biocombustível na gasolina e estuda misturas ainda maiores, a indústria automotiva volta a desenvolver veículos dedicados ao etanol, colocando o combustível brasileiro novamente no centro das discussões sobre eficiência, segurança energética e descarbonização dos transportes.
A aposta da Chevrolet é ousada e, em certa medida, provocativa: em um mercado acostumado há duas décadas à flexibilidade, a montadora volta a colocar nas ruas um veículo que escolhe um único combustível. Se o Onix 100% etanol vai cair no gosto do brasileiro, ainda é cedo para saber. O que já está claro é que o etanol deixou de ocupar apenas o papel de alternativa à gasolina. Com novas misturas, avanço dos híbridos, crescimento da produção e novas aplicações em discussão, o biocombustível brasileiro ganha cada vez mais espaço e se consolida como uma das grandes apostas do país e do mundo para o futuro da mobilidade.
Por: Fábio Palaveri – Portal Visão Agro
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