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Inpasa fomenta produção de sorgo para a fabricação de etanol

Maria Reis por Maria Reis
12 agosto, 2025
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Tempo de leitura: 4 minutos
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Plano é processar 50% de milho e 50% de sorgo, cultura que tem menos necessidade hídrica

Com a inauguração, em 1º de agosto, da primeira fase de sua biorrefinaria em Balsas, no Maranhão, a Inpasa quer intensificar o aproveitamento do sorgo na produção do etanol e atuar como agente de fomento da cultura no país.

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O vice-presidente de negócios e originação da empresa, Flávio Peruzzo, diz que o sorgo ainda é um mercado novo do etanol de cereais, mas a intenção da Inpasa é processar 50% de milho e 50% de sorgo.

“Quem vai ditar muito essa dinâmica é o próprio mercado, mas nossa predisposição é dar bastante lastro para o sorgo para que essa cultura possa de fato se desenvolver, já que tem uma necessidade hídrica menor que a do milho”, diz o engenheiro agrícola, que está na companhia desde 2018, no início das operações no Brasil, e antes trabalhou sete anos no berço da Inpasa, no Paraguai.

Peruzzo afirma que, em anos de janela mais curta para o milho ou em regiões que tipicamente não produzem milho, a dobradinha soja e sorgo pode viabilizar uma segunda safra. “O principal não é substituir o milho e sim ser uma nova cultura em regiões que nunca fizeram segunda safra”, afirma.

Tradicionalmente, a Inpasa compra a matéria-prima dos produtores locais. No Maranhão não será diferente. Mas, para incentivar o aumento da produção de sorgo, a empresa vai oferecer oportunidade aos produtores da região de travar contrato futuro. Para a unidade baiana de Luís Eduardo Magalhães, que deve ser inaugurada em abril de 2026, por exemplo, o executivo diz que já foi comprado muito sorgo para receber a partir de junho de 2026.

Atualmente, apenas as duas unidades do Mato Grosso – estado que tem a maior produção de etanol de cereais da companhia com o processamento de 6,5 milhões de toneladas de milho – não recebem sorgo. Nas duas plantas do Paraguai, o sorgo já é matéria-prima.

“Estamos em uma curva de aprendizado tanto comercial, quanto industrial de uso dos produtos derivados do sorgo. No Mato Grosso, esse cereal deve integrar a cadeia de suprimentos em um segundo momento”, completa Peruzzo.

O Mato Grosso é o maior produtor de milho do país, com cerca de 50 milhões das 115,9 milhões de toneladas em 2024. Já o sorgo tem uma produção bem menor: 4,3 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sem óleo

Peruzzo diz que o processo industrial para produzir etanol com milho ou sorgo é semelhante, mas os insumos para a produção com sorgo custam mais e a rentabilidade industrial é menor. Uma grande diferença entre os dois cereais é que o sorgo não produz óleo. O equilíbrio ocorre porque a tonelada do sorgo custa menos que a do milho.

Já a produção de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS, na sigla em inglês), coproduto do milho resultante do processo de fabricação do etanol que ganha cada vez mais espaço na composição da ração animal, é muito parecida. Segundo o executivo, toda a produção de DDGS da primeira unidade da empresa no Nordeste ficará no mercado interno.

“A Inpasa já exporta uma fatia expressiva da sua produção das unidades do Centro-Oeste, mas, aqui no Maranhão e na indústria em construção em Luís Eduardo Magalhães, o foco é 100% mercado interno”, afirma o executivo.

O óleo de milho e o DDGS que vai para nutrição principalmente do gado de corte e leite, mas também de aves, suínos, peixes e pets, representam atualmente cerca de 25% do faturamento da Inpasa, que fechou 2024 com R$ 14,8 bilhões e estima chegar a R$ 24 bilhões neste ano devido à nova planta do Maranhão e às ampliações de outras unidades.

Investimento

A planta de Balsas, que demandou investimento de R$ 2,5 bilhões, que incluíram pela primeira vez um financiamento externo de R$ 600 milhões do Banco do Nordeste, já deve inaugurar sua segunda e última fase em setembro. Desde o lançamento da pedra fundamental até o início da operação, passaram apenas 16 meses.

“A gente tem um modelo de negócio. Fazemos muito estudo, prospecção prévia e temos uma equipe de engenharia multidisciplinar e de gestão da obra muito robusta. Quando começamos a construir, entramos com tudo para seguir o cronograma e costumamos ter um bom ritmo. Isso é fruto de quase 18 anos de história”, afirma o executivo.

Em Balsas, devem ser processadas 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano, com produção de cerca de 925 milhões de litros de etanol, 490 mil toneladas de DDGS e 47 mil toneladas de óleo vegetal.

No total, a empresa de cerca de 2,7 mil funcionários tem capacidade instalada em suas cinco unidades no Brasil para produzir 5,8 bilhões de litros de etanol por ano, 3 milhões de toneladas de DDGS, 245 mil toneladas de óleo vegetal e mais de 1,5 mil GWh de energia elétrica renovável.

Por: Eliane Silva | Fonte: Globo Rural

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