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Etanol avança no mix das usinas, mas El Niño pode fazer açúcar voltar a ser doce em 2026

Maria Reis por Maria Reis
7 janeiro, 2026
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Tempo de leitura: 4 minutos
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Com preços mais favoráveis, biocombustível ganhou força nas usinas, mesmo diante de uma competição com o etanol de milho. Para 2026, contudo, clima pode mudar e com fenômeno climático impactando produção indiana, adoçante pode ver sua cotação voltar a subir

Em meio a uma safra difícil, as usinas brasileiras de cana-de-açúcar tem seguido um movimento muito claro ao longo da safra 2025/26: apostar num mix mais favorável ao etanol, ante anos mais açucareiros.

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O que se viu nos últimos meses foi uma conta que passou a favorecer o biocombustível. Um relatório escrito pelo time da analistas da XP que acompanha o setor citou que nas usinas, o que se vê são poucas travas de preço no açúcar e uma produção direcionada ao biocombustível diante de preços mais atrativos.

“O etanol vem sendo mais competitivo que o açúcar, e isso tem direcionado as decisões das usinas”, resume a XP. Os dados mais atualizados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) reforçam esse movimento. No último levantamento, referente à primeira quinzena de dezembro, o mix de açúcar no Centro-Sul ficou em 35,5%, bem abaixo dos 44,6% registrados um ano antes.

Essa onda também pode ser vista em comunicados de gigantes do setor.  Ao comunicar o encerramento da moagem da safra 2025/26, a São Martinho informou que manteve o mix previamente indicado, com 49% da produção destinada ao açúcar e 51% ao etanol. Segundo a companhia, a decisão refletiu “condições de mercado vistas ao longo da temporada”.

Na Jalles, o ajuste foi ainda mais explícito. A companhia encerrou a moagem da safra com um mix de 53,6% de etanol e 46,4% de açúcar, levemente diferente do observado na temporada anterior. Mais relevante, porém, foi o desvio em relação ao plano inicial. Antes do início da safra, a empresa projetava um mix mais açucareiro, com 51,8% para o adoçante.

“A diferença em relação ao mix projetado deve-se à dinâmica de preços entre etanol e açúcar ao longo da safra. À medida que a paridade passou a favorecer o etanol, a Jalles realocou parte da produção, especialmente nas unidades de Goiás, a fim de maximizar a geração de valor”, disse em fato relevante arquivado na CVM no início de dezembro passado.

O pano de fundo dessa escolha está na bomba. Mesmo com uma demanda ainda morna, a paridade do etanol frente à gasolina já supera os 70% em diversas regiões, citou a XP. Isso sustenta preços firmes durante a entressafra, ainda que o avanço do etanol de milho sempre à espreita dos usineiros.

É aí que entra a discussão sobre 2026. A expectativa no setor é de que a moagem volte a crescer na próxima safra, podendo superar 620 milhões de toneladas de cana.

Ao mesmo tempo, o clima pode virar o jogo do açúcar mais à frente. Um relatório do Santander, escrito pelos analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, apontou uma mudança relevante nos sinais climáticos globais, com quase 90% de chance de um evento de El Niño a partir de junho de 2026.

Historicamente, o fenômeno está associado a períodos de seca na Índia, especialmente durante a época das monções, conhecidas por muita chuva e que coincidem com a fase crucial para o desenvolvimento da cana. Diante disso, os analistas escrevem que esse pode ser um “ponto de inflexão para os preços globais do açúcar mesmo em um ano em que o Brasil também deve reduzir sua mistura de açúcar para favorecer o etanol”.

No El Niño de 2023, relembraram os analistas, houve uma quebra de 20% na produção indiana de açúcar, reduzindo a oferta global e sustentando preços elevados por mais de uma safra.

O cenário ainda ganha mais contornos diante de uma posição vendida recorde dos fundos globais em açúcar, como relembrou a XP em seu relatório. De acordo com o documento, isso pode abrir espaço para uma correção de preços no adoçante a nível global.

O que se vê no intervalo de um ano é uma queda de cerca de 30%. No mercado futuro da ICE, em Nova Iorque, o contrato para março deste ano do açúcar bruto é negociado por volta de 14 centavos de dólar por libra-peso. Há um ano, a cotação rondava os 19 centavos.

Por: Gustavo Lustosa | Fonte: AGFeed

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