Negócio inclui a unidade industrial, canaviais próprios e contratos de fornecimento, enquanto a compradora reforça sua estratégia de cluster no estado
A Raízen anunciou nesta segunda-feira, 20 de julho, a venda da Usina Caarapó, localizada em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema por aproximadamente R$ 760 milhões. O negócio inclui a planta industrial, a cessão da cana-de-açúcar própria e os contratos com fornecedores vinculados ao empreendimento, ampliando a presença da compradora no setor sucroenergético sul-mato-grossense.
O pagamento será realizado à vista no fechamento da transação, sujeito aos ajustes habituais previstos em operações dessa natureza. A conclusão é esperada antes de 1º de outubro de 2026 e ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além do cumprimento das demais condições estabelecidas entre as empresas.
Durante a safra 2025/26, a unidade de Caarapó processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A estrutura possui capacidade para fabricar açúcar, etanol hidratado, etanol anidro e energia renovável, reunindo produtos estratégicos para o mercado de alimentos, combustíveis e bioenergia.
Localizada a cerca de 100 quilômetros das plantas de Angélica e Ivinhema, também operadas pela Adecoagro, a instalação será incorporada ao modelo regional da companhia. Segundo o vice-presidente de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, Renato Junqueira Santos Pereira, a proximidade permitirá aproveitar infraestrutura, gestão e práticas operacionais compartilhadas, além de ampliar a moagem com investimentos adicionais controlados.
Integração regional
Com a aquisição, a Adecoagro pretende formar um cluster integrado por três unidades no Mato Grosso do Sul. A organização poderá direcionar para Caarapó volumes adicionais de matéria-prima, incluindo eventuais excedentes das operações existentes, ao mesmo tempo que busca replicar seu modelo de produção de baixo custo e capturar sinergias agrícolas, industriais e logísticas.
Para a Raízen, a negociação faz parte da estratégia de otimização do portfólio, simplificação das atividades e melhoria da rentabilidade do negócio agroindustrial. Após a conclusão, a companhia deverá permanecer com 23 usinas e capacidade instalada para moer aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
A alienação ocorre durante o processo de recuperação extrajudicial da Raízen, cujo plano busca reorganizar aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas. A empresa também vem reduzindo investimentos e promovendo desmobilizações para fortalecer a estrutura de capital, tendo vendido ou retirado de operação ativos equivalentes a quase 20 milhões de toneladas de capacidade de moagem antes do anúncio envolvendo Caarapó.
Na prática, a transação reforça o movimento de consolidação de ativos no setor sucroenergético. Para a Adecoagro, o ganho está na expansão regional e na integração operacional; para a Raízen, o valor recebido representa mais uma etapa da reorganização financeira e da concentração em empreendimentos considerados estratégicos. O próximo passo será a análise concorrencial pelo Cade e o cumprimento das condições necessárias para a transferência definitiva da unidade.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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