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Usinas flex para etanol atraem investimentos

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
28 agosto, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Modelo possibilita a produção do biocombustível o ano todo ao combinar milho e cana-de-açúcar

Planta da Bioenergia em Quirinópolis (GO): usinas anexas de cana e milho compartilham insumos, diversificam matéria-prima e aproveitam sinergias — Foto: Divulgação

Otimização industrial, redução de custos e vantagens ambientais têm estimulado investimentos em usinas que combinam o uso de cana-de-açúcar e milho na produção de etanol. Como o grão pode ser estocado, o modelo possibilita produzir o ano todo, e não apenas nas safras, como ocorre com a cana. O mercado avalia que a prática, além de reduzir a ociosidade dos equipamentos, pode estabilizar a oferta do combustível ao longo do ano.

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“Trata-se de um avanço que fortalece o abastecimento continuado do mercado nacional e apoia a segurança energética do Brasil”, afirma a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A entidade estima que as 12 usinas flex em atividade no país – dez no Centro-Sul e duas no Nordeste – já respondem por até 6% do etanol produzido no país. No ciclo 2025/26, entre 1,8 bilhão a 2,2 bilhões de litros do combustível saíram dessas usinas.

Para Marcos Fava Neves e Vinícius Cambaúva, sócios da consultoria Markestrat Group, a tecnologia estabelece um modelo de complementaridade que fortalece a segurança energética, a sustentabilidade e a competitividade no cenário de descarbonização global, estimulada pela ascensão acelerada do etanol de milho. “O Brasil vivencia uma transformação estrutural na sua matriz energética e agrícola”, afirmam os executivos.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) avalia que o combustível a partir do milho pode representar quase a metade do crescimento esperado na produção de etanol até 2035, que deve ficar entre 45 bilhões e 58 bilhões de litros.

“O modelo flex reúne importantes vantagens operacionais, econômicas e ambientais. A principal delas é a possibilidade de maximizar a utilização dos ativos industriais ao longo do ano, aproveitando a complementaridade entre as safras de cana e milho”, diz Ronaldo Bezerra, diretor-geral da Cargill Bioenergia, que tem uma operação integrada das duas culturas em Quirinópolis (GO).

Na visão de Bezerra, o uso do milho na entressafra da cana amplia o período operacional da indústria e aumenta a eficiência dos investimentos, melhorando a produtividade ao agregar ao sistema a produção de óleo de milho e de DDGs, subprodutos destinados à nutrição animal. Já o bagaço reduz a necessidade de recorrer a fontes externas para a cogeração de energia.

Modelo possibilita a produção do biocombustível o ano todo ao combinar milho e cana-de-açúcar

Com produção de cerca de 600 milhões de litros de etanol por ano, a empresa estuda instalar uma usina de etanol de milho e energia anexa à de Cachoeira Dourada (GO), onde processa 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Na CerradinhoBio, que tem plantas em Goiás e Mato Grosso do Sul, a decisão de investir em plantas anexas de cana e milho, com uso compartilhado de insumos, passa pela diversificação de matéria-prima e aproveitamento de sinergias, diz Galvão Oliveira, diretor administrativo e financeiro. Essa opção minimiza investimentos e traz ganhos de escala, afirma. A empresa tem capacidade para processar 6,1 milhões de toneladas de cana e 1,85 milhão de toneladas de milho.

Outra vantagem da integração é que, com melhor aproveitamento da biomassa da cana para gerar energia, a operação conjunta colabora na redução das emissões. Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Nilza Patrícia Ramos a pegada de carbono das usinas flex, quando a produção ocorre sem mudanças no uso do solo, tem variado de 17 gramas a 30 gramas de carbono equivalente por megajoule de biocombustível produzido, contra 87 gramas no caso da gasolina C (sem mistura). “Mesmo os piores empreendimentos, se tiverem um bom sistema produtivo, já vão evitar muita emissão”, diz.

A Atvos pretende transformar a Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), em seu primeiro complexo de transição energética, integrando cana e milho na produção de etanol e bioeletricidade e uma planta de biometano a partir de torta de filtro e vinhaça. A produção de etanol de milho deve ser iniciada em 2028, com capacidade para 273 milhões de litros. A de biometano, prevista em 28 milhões de m3 /ano, deverá começar em 2027.

Por: Lauro Veiga Filho | Fonte: O Valor

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