Recentemente, a Embrapa foi oficialmente autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a realizar pesquisas com Cannabis sativa no Brasil, tratando a planta como cultura agrícola, com foco em genética, manejo, rastreabilidade e produtividade.
A autorização marca um passo inédito para inserir a cannabis, incluindo pincipalmente o cânhamo industrial, no mesmo patamar técnico de qualquer outra cultura do agronegócio nacional.
A decisão permite que a pesquisa agropecuária brasileira avance sobre uma cadeia produtiva que hoje movimenta cerca de R$ 971 milhões por ano no país, quase totalmente baseada em importações, especialmente no segmento de cannabis medicinal.
Apesar do consumo crescente, o Brasil ainda produz pouco, não captura valor e não estrutura uma cadeia produtiva nacional.
Segundo reportagem da Forbes Brasil, o objetivo da Embrapa é construir uma base científica sólida que permita ao país desenvolver produção própria para aplicações em fibras, alimentos, cosméticos, bioindústria e uso medicinal, com rastreabilidade e segurança técnica.
Enquanto o Brasil ainda “engatinha”, países como China, Estados Unidos, Canadá e Paraguai já avançaram na produção, industrialização e exportação de cannabis e cânhamo, com regulação clara e investimento em pesquisa.
Projeções indicam que, com um marco regulatório estruturado, o Brasil pode sair dos atuais 27 hectares para mais de 15 mil hectares cultivados em poucos anos.
Somente pesquisa científica
Em reunião realizada no dia 28 de janeiro deste ano, a Anvisa apresentou três propostas de resoluções normativas para regulamentar o cultivo da cannabis no Brasil:
- uma voltada exclusivamente à pesquisa científica;
- outra destinada ao cultivo comercial para fins medicinais e farmacêuticos;
- e um sandbox regulatório direcionado a associações de pacientes, permitindo testes controlados do processo produtivo de medicamentos à base de cannabis.
As normas ainda serão publicadas no Diário Oficial da União e devem entrar em vigor seis meses após a publicação. Nenhum produto resultante dessas pesquisas poderá ser comercializado.
O material vegetal poderá apenas ser compartilhado com outras instituições de pesquisa devidamente autorizadas.
A entrada da cannabis na pauta do agro brasileiro ainda se mostra como uma discussão ideológica. Porém, vale lembrar que para além disso, trata-se de uma questão econômica, estratégica e de competitividade.
A pergunta que se impõe é se o preconceito e o tabu ainda pesarão mais do que os dados, a ciência e o potencial econômico, ou se o Brasil finalmente irá tratar a cannabis como uma cultura agrícola estratégica, capaz de gerar renda, tecnologia e competitividade global.
Por: Fábio Palaveri | Fonte: Portal Visão Agro – Com informações da Embrapa/Forbes
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