Empresa registrou baixa contábil de R$ 11,1 bilhões referente à sua saída de negócios, como da rede Oxxo

A Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, conforme balanço divulgado no fim da noite da quinta-feira (12). O resultado foi fruto de uma baixa contábil (impairment) de R$ 11,1 bilhões relativa à reclassificação de ativos diante da piora da estrutura de capital e alta do custo financeiro. Os outros R$4,5 bilhões refletiram a piora do desempenho operacional no segmento de açúcar e etanol, que acabou ofuscando a melhora da geração de caixa no segmento de distribuição de combustíveis.
No terceiro trimestre da safra 2024/25, a empresa havia registrado um prejuízo líquido de R$ 2,57 bilhões.
A dívida líquida da companhia, joint venture entre Cosan e Shell, encerrou o terceiro trimestre da atual safra em R$ 55,4 bilhões, um aumento de 43,4% na comparação anual. Esse resultado refletiu, em boa medida, uma decisão da companhia desde o início da safra de trocar instrumentos de capital de giro (como operações de risco sacado) por instrumentos financeiros de capital de giro.
Tanto que o passivo total da Raízen, que inclui dívidas com fornecedores e operações com clientes, teve uma redução de 2%, para R$ 119,8 bilhões. Essa decisão permitiu que a Raízen registrasse, no terceiro trimestre, um forte aumento na sua margem de operação da distribuidora, já que a eliminação do risco sacado barateou o custo de compra dos combustíveis.
No terceiro trimestre, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de distribuição saltou 35,2%, a R$ 215 por metro cúbico. Estima-se no mercado que essa variação equivale à transferência do custo operacional de compra de combustível para o custo financeiro com capital de giro para financiar essas aquisições.
Ainda assim, a Raízen passou a acumular prejuízo de R$ 19,7 bilhões nesta safra, o que fez com que incorresse, pela primeira vez em sua história, em um patrimônio líquido negativo de R$ 1,1 bilhão. Isso, inclusive, foi enfatizado pelo auditor, a EY, em seu relatório. Para a EY, há “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”.
A receita líquida da Raízen no terceiro trimestre da safra 2025/26 ficou em R$ 60,4 bilhões, com queda de 9,7%, e o Ebitda ajustado cedeu 3,3%, para R$ 3,1 bilhões. Com isso, a alavancagem subiu de 5,1 vezes no segundo trimestre desta safra para 5,3 vezes no terceiro trimestre do ciclo. O clima adverso também afetou o negócio de açúcar e etanol da Raízen. A produção caiu 5% e 17,9%, respectivamente, no acumulado de nove meses da safra.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural
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