A crise geopolítica que pressiona os custos de fertilizantes, combustíveis e logística no agronegócio brasileiro abriu espaço para o país acelerar a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina e de biodiesel no diesel. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).
O diretor do departamento econômico da instituição, Cláudio Brisolara, afirmou ontem, 8, durante Seminário Lide Agronegócio, em São Paulo (SP), que já há proposta em discussão no governo para elevar o teor de etanol anidro de 30% para 32% ou 35% e a mistura de biodiesel de B15 para B17.
“Tecnicamente isso é viável, temos oferta de produto, por que não fazer?”, afirmou. “Eu acho que não tem razão nenhuma para não fazermos isso”.
Segundo Brisolara, a ampliação da mistura reduziria de imediato a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética, ajudaria a amortecer a volatilidade dos custos e reforçaria a estratégia nacional de descarbonização.
Na avaliação dele, o momento atual guarda semelhanças com o choque do petróleo da década de 1970, que deu origem ao Proálcool e impulsionou a cadeia de biocombustíveis no país. “Talvez agora esse momento seja um novo impulsionador para a gente robustecer ainda mais os nossos programas”, disse.
O economista da Faesp afirmou que a piora do ambiente geopolítico já chegou ao campo. Segundo ele, a alta do petróleo elevou os preços dos fertilizantes entre 15% e 20%, encareceu combustíveis e, em algumas localidades, provocou desabastecimento.
Em um horizonte mais longo, de uma safra, disse, esses efeitos podem se traduzir em menor oferta de produtos, preços mais altos e maior dificuldade de acesso do consumidor aos alimentos.
Brisolara observou, ainda, que o etanol, produzido com apenas 1,5% da área do Brasil, já substitui 40% dos combustíveis líquidos consumidos no país, o que reduz a exposição brasileira a choques externos no mercado de petróleo.
“O etanol não passa por aqui”, afirmou, ao recuperar uma frase que, segundo ele, já circulava em crises anteriores e voltou a fazer sentido no cenário atual.
Segundo ele, o Brasil já dispõe de legislação e instrumentos para ampliar o uso de biocombustíveis em frotas pesadas, na navegação e na aviação, com iniciativas como o programa Mover e a Lei do Combustível do Futuro. “Nos parece a hora de acelerar, aproveitar esse momento”, afirmou.
Por: Gabriel Azevedo | Fonte: Agência Estado
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