Instabilidade geopolítica no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz causaram um choque na oferta de insumos

A disponibilidade global de fertilizantes deve cair a um nível recorde em 2026, superando a crise que o setor viveu em 2022, aponta estudo do Raboresearch Alimentos e Agronegócio, braço de pesquisas do Rabobank.
“Estamos atingindo novos mínimos históricos no índice de disponibilidade. Este índice vai até dezembro e nossa previsão indica que atingiremos esse mínimo em novembro ou dezembro”, afirmou Bruno Fonseca, analista sênior de insumos agrícolas do RaboResearch.
O mercado global de fertilizantes encerrou o primeiro trimestre sob forte pressão, por conta da instabilidade geopolítica crescente no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz, que causaram um choque abrupto na oferta das commodities.
A disponibilidade de fertilizantes deteriorou-se rapidamente. Os preços do nitrogênio e dos fosfatados subiram mais rapidamente que as commodities agrícolas, pressionando margens dos agricultores.
O RaboResearch espera uma oferta restrita de fertilizantes ao longo de 2026, com uma recuperação limitada no segundo semestre.
O índice de disponibilidade de fertilizantes do banco mede a facilidade ou dificuldade para os produtores adquirirem fertilizantes, com base na relação entre os preços dos adubos e os preços das commodities agrícolas. O índice zero indica que os preços dos fertilizantes cresceram em linha com a receita das commodities. Os índices negativos indicam que os preços dos fertilizantes cresceram mais rápido, gerando compressão nas margens dos produtores.
Pelos cálculos do banco, a disponibilidade de nitrogênio está em -1,17 neste ano. A produção global de nitrogênio está prevista em 110 milhões de toneladas, para um consumo de 109 milhões de toneladas.
A disponibilidade de fosfatados, por sua vez, apresenta índice negativo de -0,55, com produção prevista em 32,2 milhões de toneladas e consumo de 31,2 milhões de toneladas. Por fim, o índice de disponibilidade de potássio está positivo em 0,03 neste ano, com produção e consumo estimados em 45 milhões de toneladas em 2026.
Pior cenário
Fonseca ressaltou que o pior cenário no momento é para o nitrogênio. Fluxos comerciais interrompidos, preços da energia em alta e queda na produção causaram um aumento acentuado nos preços da ureia e aperto na relação entre oferta e demanda. O banco projeta queda de 5% na demanda por ureia em 2026, em comparação com 2025, dependendo da duração dos conflitos no Oriente Médio e da redução na produção.
“A queda esperada na disponibilidade de nitrogênio desencadeia uma destruição de demanda considerável para a ureia neste ano. Para o nitrogênio como um todo, esperamos uma diminuição de 5% na demanda em 2026. Os fosfatos, que representam um problema mais estrutural em termos de preços elevados, deverão atingir o nível mais baixo por volta de julho e estimamos uma queda de 7% na demanda para 2026. No caso do potássio, o índice está mais ou menos na zona de neutralidade, e a demanda deverá cair cerca de 1%. Essa é uma das razões pelas quais acreditamos que o preço do potássio será menor este ano em comparação com anos anteriores”, afirmou Fonseca.
Ele observou que, o segmento de fosfatados sofre pressão causada por interrupções no fornecimento e por custos mais altos dos insumos, sobretudo da amônia e do enxofre. A expectativa é que os preços se mantenham elevados até 2027, com a demanda global por fosfato caindo abaixo dos níveis de tendência em 2026.
O banco projeta uma queda na demanda de fosfato de 7%, caindo abaixo de 32 milhões de toneladas do nutriente pela primeira vez, desde 2015.
O potássio apresenta um cenário um pouco mais equilibrado, beneficiando-se de cadeias de suprimentos mais diversificadas. No entanto, os efeitos indiretos da menor disponibilidade de outros nutrientes deve pesar sobre a demanda em 2026. O banco prevê uma queda de cerca de 1% na demanda global por potássio em 2026, podendo voltar a crescer no ano seguinte, à medida que as condições de mercado e a disponibilidade melhorem.
“As perspectivas para 2026 apontam para uma pressão contínua sobre a economia agrícola e para o aumento dos riscos de queda na produção agrícola global e na estabilidade dos preços dos alimentos”, conclui o estudo.
Fonseca observou ainda que alguns países começaram a adotar medidas para reduzir o ônus para os agricultores da alta dos preços dos fertilizantes. Países exportadores, como China e Rússia, já adotaram medidas protecionistas, como proibição das exportações. E países consumidores removem as tarifas de importação, como fizeram Estados Unidos, México e Turquia.
Por: Cibelle Bouças | Fonte: Globo Rural
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