Conflito no Oriente Médio pode causar dificuldades às sucroenergéticas devido ao aumento de preços dos principais insumos usados na produção

A guerra no Oriente Médio pode causar dificuldades às sucroenergéticas devido ao aumento do custo dos principais insumos usados na produção, além de os preços do açúcar não reagirem e os do etanol estarem com tendência de queda.
Conforme reportagem do Valor Econômico, a situação gera expectativa de margens mais apertadas no ciclo que acabou de começar ou, até mesmo, prejuízo para uma parcela das usinas.
Em 2025/26, o custo médio de produção do açúcar foi de 15,77 centavos de dólar a libra-peso no porto de Santos (FOB), segundo estimativa do Pecege Consultoria e Projetos. Para algumas empresas, como a RPA Consultoria, esse custo pode ter ficado perto de 17 centavos a libra-peso.
Com estes valores, já há usinas contabilizando prejuízo, segundo as fontes ouvidas pelo Valor, uma vez que os preços do adoçante oscilaram durante a temporada abaixo destes níveis. A nova safra inicia com custos mais elevados, motivados pela alta do diesel, usado na operação, e dos fertilizantes aplicados nos canaviais.
Desde o início da guerra, o preço do diesel subiu 23% nos maiores estados produtores, conforme a reportagem, impactando o custo de corte, colheita e transporte (CTT).
Já no caso dos fertilizantes, alguns dos principais insumos usados na cana já subiram 60%, de acordo com a reportagem. Segundo o sócio da RPA, Ricardo Pinto, a ureia já aumentou 59% desde o início da guerra, produto altamente dependente do Oriente Médio, de onde vem 41% das exportações mundiais.
Para ele, ainda que o conflito se resolvesse de imediato, preços em níveis pré-guerra só seriam vistos em, no mínimo, três meses.
Preços estagnados
Os preços de açúcar e etanol não indicam uma compensação nos custos altos, de acordo com o Valor. O petróleo acima dos US$ 100 o barril levou à consequente alta do açúcar, mas por pouco tempo, afirma o texto.
Em 15 dias, a remuneração do açúcar caiu R$ 250 por tonelada e está em R$ 1.600 por tonelada, segundo cálculos da consultoria FG/A. No caso do etanol, a perspectiva também é de preços baixos.
Outro fator negativo é que diversas sucroenergéticas que venderam energia em leilões no passado estão com os contratos vencendo. “Agora elas têm que vender eletricidade ao preço de energia livre, que é bem menor”, afirma.
Segundo Pinto, da RPA, antes da guerra, as usinas falavam em “conseguir fazer resultado, mas agora muitas vão tentar fazer pouco prejuízo”.
O sócio da FG/A , Willian Hernandes ,diz ainda que a tendência é de retração de margens. O fato pode ser amenizado peça recuperação de produtividade.
De acordo com ele, mesmo com o El Niño previsto para o segundo semestre, o fenômeno não deve afetar o rendimento desta safra. Porém, João Rosa, do Pecege, não enxerga que o incremento de produtividade seja suficiente para anular toda a alta dos custos, conforme o Valor.
O resultado também depende da capacidade das usinas de migrarem seu mix para a produção de etanol, que continua oferecendo boa vantagem sobre o açúcar, segundo acrescenta Hernandes.
Fonte: NovaCana
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