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Supressão vegetal não dá conta de garantir biomassa a usinas de etanol

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
30 abril, 2026
em Usinas
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Setor bioenergético Usinas
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Mato Grosso lança um plano para estimular a produção de biomassa para uso industrial

Foto: Divulgação

Diante do forte crescimento da produção de etanol de milho, o Mato Grosso avalia que o uso de madeira ​com origem na supressão vegetal não dará conta de abastecer as ​caldeiras das usinas e lançou um plano para estimular a produção de biomassa para uso industrial, disse nesta quinta-feira a secretária de Meio Ambiente do Estado, Mauren Lazzaretti.

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O Estado discutiu no início do mês, em audiência pública, o uso de vegetação nativa nos “Planos de Suprimento Sustentável (PSS) pelos grandes consumidores de matéria-prima florestal”, após o Ministério Público abrir inquérito, no ano passado, para investigar eventuais ilegalidades no consumo de madeira nativa por indústrias, como usinas de etanol de milho.

Entre as matérias-primas para geração de energia nas caldeiras ⁠que movem as usinas de etanol de milho ​está a madeira nativa, o que gera uma discussão ambiental sobre um combustível tido como sustentável que está ​em forte expansão no Brasil.

O Estado considera que não há ilegalidade nos processos, entre outras razões, porque produtor agrícola tem o ⁠direito legal no país de desflorestar parte de sua propriedade, ⁠gerando oferta de biomassa.

Parte da biomassa usada nas usinas de etanol, por outro lado, tem origem ​em ‌madeira de eucalipto plantado, uma prática vista como mais sustentável e algo que um plano estadual recém-lançado quer ampliar.

“Além de existir o ⁠aumento exponencial da demanda por biomassa, o que deixa evidente que a supressão não irá suprir a demanda, nem a atual nem a crescente, entendemos que é preciso planejar de forma distinta… para que essa realidade seja alterada, sob pena de termos comprometimento com o ‌avanço ⁠e o crescimento das indústrias ‌no Estado”, disse a secretária, durante evento de etanol de milho, em Mato Grosso.

Ela se referia ao plano, lançado ao final de março, que tem um horizonte até 2040 para ampliar a oferta de madeira plantada com o objetivo de abastecer o setor industrial.

O ⁠planejamento, disse a secretária, visa aumentar de cerca de 200 mil ⁠hectares para 700 mil hectares as florestas plantadas, até 2040.

Até o ano passado, o Mato Grosso, maior produtor de etanol de milho, contava com dez usinas de ‌etanol, enquanto há projetos para diversas outras nos próximos anos.

Questionada sobre o debate do uso de madeira nativa nas caldeiras de usinas de etanol, a secretária afirmou que a interpretação da Procuradoria-Geral do Estado é de que o Código Florestal brasileiro “não é específico e restrito especificamente em relação às indústrias de etanol” sobre o uso dessa biomassa.

“Mas também entendemos que não é ‌viável do ponto de vista estratégico continuar consumindo madeira de origem nativa vinculada à supressão de vegetação. Por isso, o Estado de Mato Grosso estabeleceu o plano, e estamos discutindo uma fase de transição”, afirmou Lazzaretti.

Essa fase vai incorporar ações ligadas ⁠a outros programas de descarbonização, “que visam a ausência” de supressão de vegetação até 2035, disse ela.

A secretária avaliou que isso é importante porque, mesmo que o Estado ainda tenha no futuro áreas de vegetação passíveis de serem suprimidas, elas existirão em um “quantitativo insuficiente para ​contribuir de forma expressiva para a biomassa necessária para a indústria”.

A secretária disse que o plano de estímulo à produção de biomassa ​acontece embora o Mato Grosso ainda possua 60% de seu “território intacto, com capacidade de gerar produto florestal e biomassa a partir de manejo florestal sustentável”.

“Temos grande disponibilidade de áreas para manejo florestal sustentável, tanto em floresta quanto em Cerrado, e também temos áreas degradadas ou com capacidade produtiva reduzida que têm potencial de reflorestamento”, disse.

Por: Roberto Samora | Fonte: CNN Brasil

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